A partir de Abril, a Baixa de Coimbra passa a ter uma rádio

Emissões online vão começar aos fins-de-semana. Financiamento foi obtido através de plataforma de crowdfunding

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Sérgio Azenha / Arquivo

Depois de um processo de angariação de fundos, a Rádio Baixa está pronta a arrancar. As primeiras emissões a partir da Baixa de Coimbra começam a 14 de Abril e, numa primeira fase, acontecerão apenas aos fins-de-semana.

A iniciativa parte da vontade de quatro pessoas ligadas a empresas tecnológicas da cidade em “criar uma comunidade à volta da música”, explica ao PÚBLICO Sérgio Santos, um dos envolvidos no projecto. “A rádio era a melhor desculpa. Tínhamos pessoas que já não faziam rádio há muito tempo e gostavam da oportunidade de fazer”, completa.

A Rádio Baixa vai instalar-se num espaço que já foi uma sapataria, na esquina do largo da Freiria com a rua dos Sapateiros. A programação vai ser transmitida online, tal como já acontecia às sextas-feiras, na matiné da Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, na avenida Sá da Bandeira. Estas sessões irão também manter-se. “Assim que tivermos mais gente, vamos começar a fazer outras tardes”, adianta o responsável.

De acordo com Sérgio Santos, depois de decidirem importar o conceito – que já existe em cidades como Berlim, Amsterdão ou Londres – encontraram na Baixa de Coimbra, “o sítio com mais potencial, tanto a nível de sinergias como das entidades que já lá estão”. O facto de “ser uma zona que precisa de mais actividade” também pesou. Recentemente, a Baixa da cidade tem visto fechar alguns dos seus estabelecimentos mais icónicos, como a Livraria de Miguel de Carvalho ou a Hortícola.

“A parte principal será ter outras entidades culturais também com programas na radio”, conta. Para já a editora Lux Records e a associação cultural Jazz ao Centro são duas entidades envolvidas no projecto.

O financiamento foi obtido através da plataforma online Patreon, que permite assegurar um contributo mensal dos apoiantes. Até neste momento, a rádio Baixa garantiu o apoio de 26 financiadores, o que significa um total de cerca de 341 euros por mês, valor que permite ao projecto pagar renda e despesas de funcionamento.

Sérgio Santos afirma também que não procuraram apoios públicos. “O objectivo era que o projecto em si pudesse subsistir de forma independente”, pelo que começou com financiamento de privados.

Em Coimbra não há frequências de rádio disponíveis e os objectivos do projecto não passam pela transmissão FM na íntegra. Isto apesar de estarem em conversações com a Rádio Universidade de Coimbra (RUC) para que alguns programas sejam transmitidos “pontualmente” por onda.

Sérgio Santos rejeita a ideia da RUC como concorrência. “Várias pessoas que estão a fundar a Rádio Baixa passaram por lá. Se não existisse RUC, não existia Rádio Baixa”, uma vez que a estrutura universitária tem uma componente de formação, sustenta. Refere ainda que os conteúdos se complementam.