O arranque do Portugal Fashion no Porto foi dos bloomers

A 42.ª edição do Portugal Fashion começou em Lisboa, no sábado passado, e continua agora no Porto, com uma nova localização.

Fotogaleria
Desfile da colecção Olimpia Davide Ugo Camera
Fotogaleria
Anabela Baldaque Ugo Camera
Fotogaleria
Júlio Torcato Ugo Camera
Fotogaleria
Anabela Baldaque Ugo Camera
Fotogaleria
Estelita Mendonça Ugo Camera
Fotogaleria
Júlio Torcato Ugo Camera
Fotogaleria
Olimpia Davide Ugo Camera
Fotogaleria
Olimpia Davide Ugo Camera
Fotogaleria
Olimpia Davide Ugo Camera
Fotogaleria
Nycole Ugo Camera
Fotogaleria
Nycole Ugo Camera
Fotogaleria
Joana Braga Ugo Camera
Fotogaleria
Joana Braga Ugo Camera
Fotogaleria
Joana Braga Ugo Camera
Fotogaleria
Beatriz Bettencourt Ugo Camera
Fotogaleria
Beatriz Bettencourt Ugo Camera
Fotogaleria
Beatriz Bettencourt Ugo Camera
Fotogaleria
Anabela Baldaque Ugo Camera
Fotogaleria
Estelita Mendonça Ugo Camera

Depois de anos na Alfândega do Porto, o Portugal Fashion trocou o edifício ribeirinho pelo Parque da Cidade. No seguimento dos desfiles que no último sábado ocuparam o novo terminal de cruzeiros de Lisboa, a 42.ª edição continuou nesta quinta-feira no Porto. O dia foi dedicado aos novos talentos da plataforma Bloom, mas houve ainda espaço para alguns dos criadores mais conceituados, como Anabela Baldaque e Júlio Torcato.

No concurso da Bloom desfilaram oito criadoras, todas elas mulheres, e no final Mara flor e Maria Meira saíram vencedoras. Terão assim presença garantida nas próximas edições, bem como o apoio de mentoring do Portugal Fashion e um prémio de 2000 euros para investirem nas suas marcas.

O evento continuou com os bloomers que já deram alguns passos na plataforma, fora do concurso. Primeiro dividiram a passerelle a marca 0.9 Virus — com uma colecção que reflecte sobre o contraste entre diferentes personalidades — e a criadora Daniela Pereira, que se inspirou no movimento da organização política The Black Panther Party, criada nos Estados Unidos em 1966.

A colecção de Joana Braga partiu de uma narrativa inesperada: a “corrida mental nocturna de uma jovem descontrolada, que perdida no seu próprio sono, dá de caras com uma sala do museu do Louvre”, escreve na apresentação. Foi buscar a história alucinante aos poemas que escrevia na escola secundária, quando “era muito melancólica”, e adaptou-a a uma colecção de mulher e de homem que conjuga os materiais leves e esvoaçantes inspirados na roupa de dormir com peças mais volumosas. Já Sara Maia mostrou uma colecção de mulher com uma estética andrógina, dando primazia aos “materiais de protecção”, como nylons, acolchoados e sarjas.

A nostalgia que marcou o primeiro dia do Portugal Fashion, em Lisboa, alastrou também para o Parque da Cidade. Beatriz Bettencourt chamou à sua colecção “Upside Down”, um nome que soará familiar a quem já viu Stranger Things — e, porventura, mesmo a quem apenas ouviu falar. Já Susana Bettencourt — que, curiosamente, partilha o mesmo último nome — tinha falado sobre a influência da série na sua colecção, mas, no caso de Beatriz Bettencourt, a interpretação foi bem mais literal. A criadora baseou-se na transformação de uma das protagonistas, Eleven, criando uma justaposição de tecidos acetinados com cortes mais femininos (semelhantes ao vestido que a personagem usou em grande parte da primeira temporada) com a flanela e vinil (da fase mais punk). As modelos assumiram mesmo o papel de Eleven, dos penteados e maquilhagem “dark” ao sangue pintado a escorrer do nariz. Até levavam em sacos de rede os venerados waffles Eggo de Eleven.

Foi também dos finais dos anos 1980 e anos 1990 que as colecções de Nycole e Olimpia Davide beberam inspiração. Tânia Nicole entrou no imaginário do músico inglês King Krule — que esteve na última edição do festival Paredes de Coura. A mistura de referências vintage de hip hop dos anos 1990 resultou num misto de camisolas de basebol com casacos acolchoados, decorados com atacadores. A marca de roupa masculina começou há cerca de suas semanas ser vendida na Farfetch — através da loja online Wrong Wather —, conta a criadora nos bastidores. Já Sara Marques (criadora da Olimpia Davide) datou a colecção ao ano de nascimento do irmão mais velho, 1988. “Fui buscar os gostos pessoais dele”, como o desporto e os carros, “e uni-os”, conta. Assim, as saias e vestidos de vinil juntavam-se às camisas de popeline e peças de ganga, numa colecção animada.

O final da noite ficou reservado aos criadores mais estabelecidos, na sala de desfiles ao lado. Anabela Baldaque pintou a passerelle com as cores da aurora boreal. O desfile começou com tons neutros e evoluindo depois para cores como os rosas e azuis.

Estelita Mendonça imaginou uma colecção futurista, sem cair numa concepção utópica. O criador começou por imaginar como será a marca “daqui para a frente” e concluiu que algumas coisas serão, provavelmente, idênticas daqui a dez anos — não tanto a nível de tendências, mas da própria forma das roupas. Na passerelle destacaram-se os casacos e outras peças em “pele de pêssego” plissada.

Júlio Torcato fechou o dia com a colecção que marca os seus 30 anos de carreira. O criador — que assina também as linhas de marcas como a Lion of Porches — foca, assim, o regresso à génese da sua marca: o cruzamento da alfaiataria clássica com as malhas técnicas, sempre com uma base de mais urbana.

O Portugal Fashion continua, na sexta-feira e sábado, no Parque da Cidade. Nos próximos dias apresentam nomes como Luís Buchinho, Miguel Vieira e Diogo Miranda.