Ahed Tamimi passará oito meses presa por dar estalada a militar israelita

Adolescente palestiniana aceitou acordo com as autoridades militares, diz o diário Ha’aretz. Está detida há quatro meses.

Ahed Tamimi transformou-se numa figura de referência para muitos palestinianos
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Ahed Tamimi transformou-se numa figura de referência para muitos palestinianos WAEL HAMZEH/EPA

Ahed Tamimi, a adolescente palestiniana acusada em tribunal por ter dado uma estalada a um soldado israelita em Dezembro, deverá ficar presa oito meses.

Segundo o diário israelita Ha’aretz, Ahed Tamimi terá decidido aceitar um acordo proposto pela autoridade militar israelita.

Como parte do acordo, Ahed Tamimi deverá declarar-se culpada de quatro crimes de agressão e incitamento, incluindo uma estalada a um soldado, que foi filmada. São menos crimes do que os 12 inicialmente previstos.

Ahed não foi detida logo após o incidente, mas sim depois da divulgação das imagens da estalada ao soldado. É por esta divulgação que está a ser acusada de incitamento à violência pela autoridade militar (os palestinianos que vivem na Cisjordânia são sujeitos às leis e autoridades militares).

Foi detida de madrugada por soldados em sua casa, e está na prisão há quatro meses. O caso chamou a atenção para o número de menores palestinianos nas prisões israelitas por crimes como atirar pedras aos soldados israelitas.

Uma fonte próxima do processo disse ao Ha’aretz que a pena não é considerada nem especialmente leve nem especialmente severa para um caso deste género, mas que o exército israelita gostaria que o processo acabasse rapidamente, pelo dano à reputação dos militares.

O vídeo, que se tornou viral, mostra Ahed a tentar acertar com punhos cerrados na cara de dois soldados – aos pulos, tentando ultrapassar outra adolescente que se vai pondo entre ela e os dois soldados. Os militares vão evadindo os golpes, sem reagir. A dada altura, ela consegue dar uma estalada a um. A impassibilidade dos militares, que não reagiram, foi defendida pelo exército, mas para muitos comentadores, foi um sinal de fraqueza.

Ahed era já uma conhecida activista desde muito nova – o seu pai, Bassem Tamimi, organiza manifestações contra a ocupação e os colonatos em Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada, desde 2009. Muitos destes protestos são filmados pelos activistas, uma mistura de modo de divulgação da causa e protecção de abusos ou violência dos soldados israelitas.