Kushner e MBS: Dois jovens príncipes e uma relação nada ortodoxa

Genro de Trump quer ser julgado pelos resultados, não pelos processos de trabalho.

Kushner assiste ao encontro entre Trump e MBS, esta terça-feira, na Casa Branca
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Kushner assiste ao encontro entre Trump e MBS, esta terça-feira, na Casa Branca Kevin Dietsch/EPA

Aliados de Jared Kushner, o genro do Presidente Donald Trump que é também um dos seus principais conselheiros, descrevem a sua proximidade ao príncipe herdeiro saudita como “não convencional mas eficiente, defendendo que construiu uma relação valiosa com um líder em ascensão que ele acredita poderá contribuir para alcançar a estabilidade no Médio Oriente”.

Nem todos na Casa Branca concordam – frequentemente, contam funcionários da Administração Trump ao diário Washington Post, os principais responsáveis só sabem que Kushner e Mohamed bin Salman falaram ao telefone depois do sucedido. Muitas vezes, não há registos oficiais dessas conversas. Rex Tillerson, o chefe da diplomacia despedido por Trump a semana passada, chegou a perguntar, irritado: “Mas afinal, quem é que é o secretário de Estado?”.

Alguns temem que MBS influencie demasiado Kushner, principalmente na sua visão simplista que culpa o Irão por todos os problemas do Médio Oriente.

O Post lembra o primeiro encontro formal: há um ano, ainda MBS não era herdeiro, uma tempestade atrasou a chegada de Angela Merkel a Washington, dando mais tempo aos conselheiros de Trump para interagirem com o visitante de Riad. Ambos na casa dos 30, ambos negociadores chefes dos seus países no moribundo processo de paz israelo-palestiniano, os “dois príncipes” depressa perceberam que tinham em comum a vontade de fazer diferente.

Kushner convenceu Trump a ir a Arábia Saudita na sua primeira viagem de Estado, em Maio, contra a opinião dos diplomatas mais veteranos na Administração. O próprio genro do Presidente regressou a Riad, sozinho, no Outono. Kushner terá um papel fundamental na longa viagem que MBS acaba de iniciar pelos EUA – num briefing recente dos serviços secretos sobre a visita, o chefe de gabinete de Trump, John F. Kelly, fez uma pergunta sobre um aspecto sensível e foi-lhe dito que todas as conversas sobre a visita tinham acontecido entre Kushner e MBS.

A verdade é que a Casa Branca de Trump é, em muitos aspectos, pouco ortodoxa. Kushner não escapa à regra – aliás, abusa um pouco – e confia mais nas relações pessoas do que nos canais habituais para lidar com problemas complexos (e isso já lhe trouxe problemas, que obrigaram à redução do seu acesso a informação confidencial).

“Alguns temem que o genro do Presidente esteja a querer tratar sozinho da política externa numa das regiões mais voláteis do mundo”, escreve o Post. No fim, Kushner “sublinhou numa conversa com assessores a semana passada, espera ser julgado não pelo processo, mas pelos resultados”.

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