Hospitais estão a aconselhar profissionais não imunizados a vacinarem-se

Internamente os hospitais estão a divulgar as orientações da DGS que, entre outras medidas de prevenção do contágio dentro das unidades de saúde, aconselham a vacinação.

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ADRIANO MIRANDA

Na sequência do surto de sarampo no Norte do país e das orientações da Direcção-Geral da Saúde (DGS), os centros hospitalares públicos estão a encaminhar aos seus profissionais para os gabinetes de saúde ocupacional (ou medicina do trabalho) para que seja averiguado o seu estado vacinal. Caso esteja incompleto, aconselham a que sejam vacinados.

É o que se passa, por exemplo, nos centros hospitalares de São João, no Porto, de Coimbra, de Tondela/Viseu e de Braga, assim como na Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), onde se insere o Hospital Pedro Hispano. Estes confirmaram ao PÚBLICO que estão a promover “activamente” a avaliação do estado vacinal dos seus profissionais e a tentar perceber se já tiveram a doença, estando por isso imunizados. Sempre que se justifique, incentivam a toma das duas doses – como é recomendado para os profissionais de saúde – da vacina contra o sarampo, papeira e rubéola.

Para isso, estão a ser usadas vacinas em stock – que sobraram da campanha de vacinação que se seguiu ao surto do ano passado – ou vacinas fornecidas pela tutela. É o caso do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, onde foi confirmado o único caso de sarampo fora do distrito do Porto, que retomará nesta terça-feira a vacinação dos seus profissionais com vacinas entretanto enviadas pela Administração Regional de Saúde do Centro. Têm prioridade os profissionais dos serviços de urgência, maternidade, cuidados intensivos e pediatria.

A unidade tratou ainda de adquirir testes serológicos "mais rápidos", que permitam um despiste célere dos casos suspeitos.

Internamente os hospitais estão a divulgar as orientações da DGS que, entre outras medidas de prevenção do contágio dentro das unidades de saúde, aconselham a vacinação. Publicadas neste sábado, dizem que os directores clínicos devem ter provas documentadas sobre a imunidade contra o sarampo dos seus profissionais.

Isto acontece depois da maior parte dos infectados nos primeiros dias do surto terem sido profissionais de saúde – a maioria tinha a vacina, garantiu o bastonário dos médicos. O que não deixou de reacender o debate sobre a obrigatoriedade da vacinação entre as equipas de saúde. Uma possibilidade que o bastonário dos médicos admite, mas a bastonária dos enfermeiros rejeita.

Já a associação de administradores hospitalares admite que, caso o plano de vacinação não resulte, os hospitais possam vir a exigir que para exercer funções em certos locais os profissionais tenham de cumprir determinados requisitos.

Mais de 40 casos suspeitos

Também nesta segunda-feira o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, considerou "pouco racional e sensato" a falta de vacinação das pessoas. "É preciso vacinar", insistiu, citado pela Lusa, defendendo a necessidade da "luta contra a ignorância" perante as "evidências científicas" dos benefícios e da "elevada segurança" das vacinas.

O surto de sarampo na região Norte – que contabilizava nesta segunda-feira à noite 53 casos confirmados – levou ainda os hospitais a definirem um circuito interno de encaminhamento do doente com suspeita da doença.

Um último balanço das autoridades da Saúde dava conta de cinco pessoas internadas em três unidades hospitalares do Porto – sendo que apenas uma tinha diagnóstico de sarampo confirmado – e 41 situações suspeitas a aguardar confirmação laboratorial. Estas incluíam os sete casos suspeitos que, desde sábado, deram entrada no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho com sintomas de sarampo. Entre eles estão três estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Surto “está controlado”

Já nesta segunda-feira, na conferência de imprensa em que fazia o balanço sobre este surto, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde deixou claro que os hospitais e as autoridades de saúde públicas estão a fazer um esforço “muito relevante” para controlar o contágio da doença. Fernando Araújo disse, “com um grau de confiança”, que o surto “está controlado”.

Contudo, salvaguardou, que isso não quer dizer que não possam surgir novos casos. Dado que o período de incubação da doença é de 10/12 dias, é natural que surjam. Com Lusa

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