Milícias aliadas da Turquia fazem pilhagens em Afrin

Combatentes do Exército Livre da Síria acusados de assaltos a casas, lojas, restaurantes e edifícios governamentais e militares na cidade curda conquistada este domingo.

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Conquistadores derrubaram estátua do ferreiro Kawa, figura curda. HASAN KIRMIZITAS / EPA
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Membros do Exército Livre da Síria celebram conquista de Afrin. AREF TAMMAWI / EPA
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Bandeira da Turquia enfeitou vários edifícios governamentais de Afrin. KHALIL ASHAWI / Reuters

Horas depois da conquista total de Afrin pelo exército turco surgiram as primeiras acusações de roubos e pilhagens levadas a cabo pelos combatentes sírios que também participaram na ofensiva militar contra aquela cidade curda do norte da Síria. 

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos e com alguns jornalistas da AFP no terreno, membros do Exército Livre da Síria estão a fazer assaltos a edifícios militares e governamentais, mas também a casas, lojas e restaurantes. A agência noticiosa francesa refere que todo o material roubado – que inclui equipamento militar, equipamento electrónico, comida e cobertores – está a ser transportado para fora da cidade.

Já no domingo circularam pelas redes sociais imagens de derrubes de estátuas e símbolos curdos, protagonizadas por combatentes das milícias aliadas ao exército da Turquia.

“A destruição da estátua de Kawa Haddad e a pilhagem de lojas e casas é moralmente deplorável”, acusa o activista curdo Abdul Basset Sida, citado pela BBC. “É a primeira violação da cultura e da história do povo curdo desde a tomada de Afrin”, lamenta o Centro de Informação da cidade, segundo a Reuters.

Ao fim de quase dois meses de combates, as YPG – Unidades de Protecção Popular curdas – foram este fim-de-semana expulsas de Afrin e muitos dos seus soldados abandonaram a cidade junto dos mais de 200 mil civis desalojados.

Em declarações à Reuters, um responsável civil curdo na região conta que este êxodo de mais de 200 mil pessoas obrigou “as pessoas que têm carros a dormir nos carros e as pessoas que não os têm a dormir debaixo das árvores com os seus filhos”. Além disso, o responsável curdo disse que estes desalojados estão também sem acesso a comida ou água nas localidades mais próximas.

Enquanto o exército turco celebra a “neutralização” de mais de três mil “terroristas”, o Observatório Sírio acusa os conquistadores de responsabilidades na morte de 289 civis, incluindo 43 crianças. A Turquia nega as acusações e garante não ter alvejado quaisquer infra-estruturas civis.

Ancara justifica a ofensiva sobre Afrin como uma operação de combate ao “terrorismo curdo”, mas é acusada de querer travar o movimento de autodeterminação daquela etnia, em maioria no Leste da Turquia, através do isolamento territorial das regiões curdas no Norte da Síria.

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