EUA impõem sanções à Rússia por ciberataques e interferência nas eleições

Departamento do Tesouro acusa Moscovo por ataques que visaram sector energético, e visa pessoas já indiciadas por Robert Mueller.

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Putin encontrou-se com Trump na cimeira do G20 em Julho de 2017 Carlos Barria/Reuters

A Administração norte-americana vai impor sanções a 19 pessoas e cinco organizações russas devido à interferência nas eleições presidenciais de 2016 e a ataques informáticos cometidos por "hackers ligados ao Governo russo" contra infra-estruturas vitais dos EUA, em especial de produção de energia.

Apesar das razões avançadas num comunicado do Departamento do Tesouro, o anúncio surge no mesmo dia em que os Estados Unidos se juntaram ao Reino Unido, França e Alemanha condenando Moscovo por não dar explicações sobre arma química que actua sobre o sistema nervoso usada para tentar matar o ex-agente duplo russo Sergei Skripal e a sua filha que só foi produzida pela Rússia.

O comunicado do Tesouro refere também o caso do ex-espião (e agente duplo) envenenado no Reino Unido, afirmando, tal como diz o documento dos líderes, que o que se passou "é um ataque à soberania do Reino Unido" e que a utilização de uma arma química "é uma clara violação da Convenção das Armas Químicas e uma violação da lei internacional".

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— Treasury Department (@USTreasury) Treasury sanctions Russian cyber actors for interference with the 2016 U.S. Elections and malicious cyber-attacks. CAATSA sanctions are part of a broader effort to address the ongoing nefarious attacks emanating from Russia">

O secretário do Tesouro norte-americano, Steve Mnuchin, anunciou que haverá sanções adicionais contra responsáveis do Governo de Moscovo e oligarcas russos, "devido às suas actividades de desestabilização", diz a Reuters. Mas não avançou um calendário para a aplicação destas outras sanções, nem se implicariam cortar o acesso destes indivíduos ao sistema financeiro dos EUA. 

Muitas das pessoas e organizações alvo das novas sanções fazem parte da lista de 13 operativos russos já nomeados pelo investigador especial Robert Mueller, quando acusou vários indivíduos de terem organizado uma campanha de propaganda e desinformação para perturbar as eleições presidenciais de 2016 e, eventualmente, favorecer a candidatura de Donald Trump, diz o jornal The New York Times.

Estes operativos roubaram a identidade de cidadãos americanos e viajaram pelos EUA em 2014 para recolher informações. Criaram depois  perfis online muito activos com o objectivo de atacar Hillary Clinton e de promover Trump — tudo a partir da Rússia, e a coberto de uma empresa, denominada Internet Research Agency, de São Petersburgo, que pagou mais de cem mil dólares por anúncios anti-Hillary no Facebook.

É visado o empresário russo Evgeni Prigozhin, um próximo de Vladimir Putin, que começou por ter uma cadeia de restaurantes frequentada pelo Presidente, lidera a Internet Research Agency e a empresa de mercenários Wagner, presente na Síria.

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A maioria dos indivíduos que agora são alvo de sanções já foram acusados por Robert Mueller Jonathan Ernst/REUTERS

“A Administração está a confrontar a actividade informática maliciosa russa, incluindo a tentativa de interferir nas eleições norte-americanas, ataques informáticos destrutivos e incursões que tiveram como alvo infra-estruturas críticas”, lê-se no comunicado de Mnuchin. "Estas sanções direccionadas são parte de um esforço mais amplo para lidar com os nefastos ataques em curso que emanam da Rússia.” 

O FBI e o Departamento de Segurança Interna emitiram um alerta dizendo que foi encontrado software malicioso nos sistemas operativos de várias empresas e organizações norte-americanas, e que a pista da origem de vários ataques informáticos foi seguida até à Rússia.

O alerta trazia um link para uma análise da empresa de cibersegurança Symantec, feita no Outono passado, em que concluía que vários produtores de energia dos EUA e da Europa tinham sido infiltrados por um grupo de hackers baptizado como Dragonfly, que em alguns casos tinha conseguido controlar todas as suas operações, relata a Reuters.

Mas para além do sector energético, há várias áreas afectadas, especifica a agência noticiosa: nuclear, instalações comerciais, água, aviação e indústria são mencionadas.

Na lista destes ataques incluem-se os causados pelo NotPetya, um ransomware (um programa informático malicioso que encripta a informação que está nos computadores e exige um resgate para que volte ao normal). Causou milhares de milhões de dólares de danos nos EUA, Europa e Ásia no Verão passado, e a sua autoria foi atribuída a Moscovo.

São ainda directamente visados pelas novas sanções seis oficiais superiores dos serviços de espionagem militar russo — o GRU —, incluindo o seu chefe, Igor Korobov, e três vice-directores. 

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Riabkov já prometeu retaliação contra estas medidas, cita a agência RIA.