A Dieta Mediterrânica já tem uma rota, de Lisboa ao Algarve

O Medfest é um projecto que reúne oito países mediterrânicos e que se propõe promover um turismo sustentável ligado às tradições gastronómicas.

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O pão é uma das bases da Dieta Mediterrânica Paulo Ricca

Que tal ir até ao Algarve pelo caminho mais longo? Parar várias vezes, comer, beber, descobrir coisas que de outra forma nunca descobriríamos? Esta é a proposta do Medfest para Portugal: uma rota, que começa em Lisboa e vai até ao Algarve, passando por diversos pontos no Alentejo, para dar a conhecer melhor a Dieta Mediterrânica, declarada pela UNESCO Património Cultural Imaterial da Humanidade

“Venha provar o nosso estilo de vida”, é o mote da iniciativa, desenvolvida pela associação In Loco, apresentada esta semana no Mercado de Alvalade em Lisboa e que tem como embaixador o chef Vítor Sobral.

O Medfest é um projecto europeu, que envolve oito países da bacia mediterrânica, tem uma duração de 36 meses e um orçamento de cerca de 2,2 milhões de euros: Eslovénia, Itália, França, Espanha, Croácia, Grécia, Chipre e Portugal, que, apesar de ser um país atlântico, partilha o mesmo tipo de alimentação e de estilo de vida. O que se pretende, explica o material de divulgação, é “criar ou melhorar estratégias existentes ligadas ao desenvolvimento de turismo sustentável”.

Cada país desenvolveu o seu próprio projecto, que passa por desenhar novas ofertas turísticas, pensando também, em particular, nas épocas baixas. As experiências gastronómicas poderão ser, posteriormente, integradas em planos já existentes que permitam a sua protecção como herança comum europeia.

Para Portugal, a Associação In Loco propõe, neste primeiro projecto de uma série, aquilo a que chamou Viagens Mágicas à Nossa Terra (Magical Mystery Tour), que descreve como um “guia self drive”, ou seja, para cada um seguir no seu próprio ritmo.

Para já, “o fio condutor", a história que se irá contar, "é a história do sul, do Mediterrâneo e da sua diversidade”, começando “na Lisboa romana, islâmica, das Descobertas, cosmopolita, cidade feita de aldeias onde pequenas comunidades deixaram a sua marca indelével, mesmo quando as civilizações mudavam”.

O ponto de partida é o Miradouro da Graça e sugere-se que se siga depois para a Sé, mas que antes se prove uma ginjinha e se almoce na Tasca da Esquina, do embaixador deste projecto, Vítor Sobral. O percurso segue por Arraiolos, com paragem para conhecer os célebres tapetes, Estremoz, Reguengos de Monsaraz, Alqueva, Ferreira do Alentejo, Castro Verde, Mértola, Alcoutim, Cachopo, Tavira, sempre com sugestões não apenas de restaurantes e de alojamentos mas de locais para visitar ligados às tradições culturais de cada vila ou cidade.

A In Loco pretende “contribuir para a afirmação e promoção de Portugal como destino mundial de Turismo Gastronómico Sustentável suportado pelo estilo de vida mediterrânico, a Dieta Mediterrânica” e, para isso, apela às empresas ou entidades que se identificam com esta proposta para se juntarem a esta comunidade ligada pelo Medfest.

Como sublinha Artur Gregório, da In Loco, é preciso perceber que a Dieta Mediterrânica “não é uma forma saudável de comer tapas e perder quilos”. É algo que tem a ver com a sabedoria acumulada durante gerações por uma comunidade, que “aproveitou aquilo que a terra e o mar dão”, de forma sustentável. Por isso, a sustentabilidade é palavra que se repete aqui diversas vezes.

Vítor Sobral reforça a ideia, lembrando que esta foi sempre vista como uma “dieta de pobres”, mas, na verdade, baseia-se na “sazonalidade e na simplicidade”, mas também nas formas criativas de “dar sabor” aos alimentos, numa altura em que “não havia as coisas que há hoje para intensificar os sabores”. Só os ricos, explica o chef, é que tinham acesso a manteiga, por exemplo, e “a carne de vaca era para as casas senhoriais”.

É importante reaprendermos que “existem coisas que devemos comer na altura certa” e que não devemos “acelerar processos para as comermos todos os dias”. Sobral falou ainda da necessidade de lermos os rótulos, sabermos o que estamos a comprar e tentarmos perceber “quem produz e quem pesca o que pomos na panela”.

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