Renováveis asseguraram 100% do consumo durante quase três dias

Com um empurrão da tempestade Félix, a totalidade do consumo eléctrico em Portugal continental foi assegurada por centrais de energias renováveis durante 69 horas seguidas.

Foto
ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

O consumo de electricidade em Portugal continental foi “assegurado integralmente por fontes renováveis” durante 69 horas, entre sexta-feira e segunda-feira passadas, destacou esta quarta-feira a associação portuguesa de energias renováveis, a APREN.

Segundo a associação dos produtores de energias limpas, os dados divulgados pela REN (que tem a gestão do sistema eléctrico nacional) demonstram que, entre as 16h de sexta-feira e as 13h de segunda-feira (ou seja, num período que coincidiu com a passagem da tempestade Félix por Portugal continental), a produção de electricidade de origem renovável atingiu os 521 Gigawatts hora (GWH), enquanto o consumo eléctrico nacional foi de 408 GWh.

A APREN destaca o papel das centrais eólicas, “que só por si abasteceram o consumo eléctrico em 65 % do período” referido. São valores que “reforçam”, segundo a associação, “o papel das fontes renováveis no abastecimento fiável e seguro das necessidades eléctricas” do país.

A APREN refere ainda que as centrais renováveis (hídricas, eólicas, solares, geotérmicas e de biomassa) produzem anualmente, em média, 54% das necessidades eléctricas nacionais, permitindo “reduzir as importações de combustíveis fósseis em perto de 750 milhões de euros por ano”.

O reverso da medalha é que a electricidade produzida por estas centrais (que tem sempre prioridade de injecção na rede eléctrica face à produção térmica) tem tarifas garantidas que são superiores ao preço médio de mercado (a esse diferencial chama-se sobrecusto).

Quanto maior é a produção, maior é a pressão sobre os preços finais que os consumidores pagam, já que esse sobrecusto (ou subsidiação), que é uma das principais causas do défice tarifário, também é incorporado nas tarifas de electricidade definidas anualmente pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

A APREN nota ainda que o sector emprega (directa e indirectamente) mais de 56 mil pessoas e que é responsável por um volume de exportações em torno dos 400 milhões de euros por ano (aerogeradores, painéis fotovoltaicos e componentes eléctricas e electromecânicas).