Crítica

Chama-me Giacometti

Último Retrato é um filme tão magrinho como uma escultura de Giacometti, e claro que não no bom sentido.

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O Último Retrato: clichés sobre a criação artística,O Último Retrato: clichés sobre a criação artística ,
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Um dos últimos trabalhos de Alberto Giacometti foi pintar o retrato do crítico de arte americano James Lord, que escreveu sobre a experiência (para ele tão honrosa quanto desesperante) em memórias que estão na base do argumento deste Último Retrato realizado por Stanley Tucci.

O filme descreve as semanas em que Lord posou para Giacometti, e se durante os primeiros minutos parece uma tentativa mais ou menos séria (mas cheia de clichés) de abordar a criação artística em geral a partir de uma criação artística particular, rapidamente se torna em comédia pura, a viver do contraste entre a excentricidade do escultor/pintor e o aprumo progressivamente impaciente do retratado.

Escrevemos “comédia pura” mas o “pura” é para ser lido como força de expressão, porque o filme é bastante fraquinho, e vai transformando as personagens em bonecos — sobretudo Giacometti, que Geoffrey Rush, no seu espalhafato habitual, parece ter modelado a partir da imaginação de um Quasimodo que fosse filmado por Mel Brooks (a personagem é tão grotesca e apalhaçada que, confessamos, às vezes até faz rir). Ao pé dele Armie Hammer parece um prodígio de sobriedade, ainda que pareça ter saido directamente da rodagem de Call me by Your Name — é outra vez o intelectual americano na Europa — com uma breve passagem pelo guarda-roupa para se adaptar aos anos 60 em que a história se passa. Depois há a sempre notável Sylvie Testud, a fazer o impossível e o impossível para ter uma personagem, esforço que o filme obstinadamente nega. Enfim, a piada é irresistível: um filme tão magrinho como uma escultura de Giacometti, e claro que não no bom sentido.