Torne-se perito

Tese de mestrado de braço direito de Rio já fazia referências a Berkeley

Constança Urbano de Sousa integrou júri que avaliou a tese de mestrado de Feliciano Barreiras Duarte, que teve Diogo Leite de Campos como orientador.

Feliciano Barreiras Duarte esteve sempre ao lado de Rui Rio no congresso do PSD
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Feliciano Barreiras Duarte esteve sempre ao lado de Rui Rio no congresso do PSD Miguel Manso

Nuno Garoupa, professor de Direito doutorado em Economia que é colunista do Diário de Notícias, referiu-se esta segunda-feira, na sua página do Facebook, ao caso do secretário-geral do PSD que teve de corrigir o currículo, acrescentando uma informação: na tese de mestrado que defendeu em 2014, Feliciano Barreiras Duarte já se referia a um doutoramento “em parceria com a Universidade Pública de Berkeley, Califórnia, EUA, com o estatuto de visiting scholar”, o que veio, entretanto, a demonstrar-se incorrecto.

Garoupa defende, por isso, que "deve ser investigado pelo Ministério Público o dito documento. E com consequências potencialmente muito desagradáveis. Inclusivamente para o grau de mestre". “Há um aspecto do currículo de Barreiras Duarte que estava a mais, não estava preciso, e ele corrigiu”, disse o líder do PSD, Rui Rio, tentando esvaziar o assunto à saída do congresso do CDS, no domingo.

Na rede social, Nuno Garoupa partilha a tese de mestrado (ou o “relatório profissional para a obtenção do grau de Mestre em Direito, especialidade em Ciências Jurídico-Políticas”) do social-democrata, que teve como orientador Diogo Leite de Campos, antigo vice-presidente de Pedro Passos Coelho no PSD. Além disso, Garoupa também revela a composição do júri que avaliou Feliciano Barreiras Duarte e que tinha, entre os seus elementos, os ex-governantes socialistas Constança Urbano de Sousa e António Carlos dos Santos.

Recorde-se que na sua edição de sábado, o jornal Sol revelou que o currículo de Feliciano Barreiras Duarte faz referência ao facto de ele ser visiting scholar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, quando aquela instituição garante que “percorreu todos os registos até ao ano em que Feliciano Barreiras Duarte nasceu, não tendo encontrado qualquer documentação de que alguma vez tenha sido oficialmente um visiting scholar” naquele estabelecimento de ensino.

Na tentativa de dar sentido à complexa história que envolve Barreiras Duarte, Manuel Pinto de Abreu, que acompanhou o doutoramento do secretário-geral do PSD, explicou ao Sol que “foi desenvolvido um trabalho preparatório” para que Barreiras Duarte fosse visiting scholar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, mas que na realidade “acabou por oficialmente nunca ser tornado realidade”.

Pinto de Abreu é actualmente catedrático convidado na Faculdade de Engenharia do Porto. Antes, foi professor na Universidade Lusófona, tal como Feliciano Barreiras Duarte, e ambos integraram o primeiro Governo de Passos Coelho, como secretários de Estado. 

O que fica por explicar é a existência de uma carta assinada pela professora Deolinda Adão, que seria a orientadora dos estudos de investigação de Barreiras Duarte, e na qual se certifica e faz fé “que o professor Feliciano Barreiras Duarte, com nacionalidade portuguesa, se encontra inscrito nesta Universidade [da Califórnia] com o estatuto de visiting scholar, no âmbito do seu Doutoramento em Ciência Política com a tese Políticas Públicas e Direito da Imigração”.

Confrontada pelo Sol com a existência desta carta, Deolinda Adão disse que está "pronta a declarar em tribunal que esse documento é uma falsificação". Nesta segunda-feira, numa nota enviada ao Observador, Deolinda Adão clarifica que o que redigiu foi um convite, e em inglês, para Feliciano Barreiras Duarte ser visiting junior scholar de Berkeley e que este não deu seguimento ao processo.

Feliciano Barreiras Duarte já esclareceu que nunca esteve presencialmente na Califórnia, em Berkeley (coisa que ainda pensa fazer), mas considerou-se “inscrito” na universidade como visiting scholar a convite de Manuel Pinto de Abreu e admitiu alterar as referências, no seu currículo, àquela universidade. Sobre a carta de Deolinda Adão disse, ao Sol: “Façam uma perícia à assinatura dela”.

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