Direito de Resposta

Direito de Resposta por decisão da ERC

“Com estimas destas ninguém precisa de estigmas”, por Rui Tavares, publicado a 21 de Dezembro 2017

Rui Tavares reagiu com má educação às nossas observações feitas com estima, no artigo “O federalismo democrático helvético futuro para a Europa”, no jornal PÚBLICO a 19 de dezembro último! Respondeu aos nossos comentários em artigo do mesmo jornal de 21 de dezembro último, com o título acima referido.

Começamos com uma citação de Rui Tavares: “Nacionalismo e patriotismo querem dizer coisas distintas e, em grande medida, opostas.”

Fomos consultar, primeiro, os dicionários, depois a Internet. O que encontramos no Dicionário Universal de Língua Portuguesa, Texto Editora, Lisboa, abril de 1997: “Nacionalista, Relativo à independência e aos interesses da nação; patriótico (sublinhado nosso)”

Consultamos também a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Volume 18, pp 338) e encontramos “Relativo à independência e aos interesses nacionais; patriotismo (sublinhado nosso), sentimento nacionalista”.

E mais: “Foi João de Barros o primeiro Português do Renascimento que se atreveu a... expor o princípio profundamente nacionalista e progressivo de abrir a instrução infantil com a aprendizagem da língua pátria e não da latina.” O nacionalismo pode ser retrogrado ou progressista.

Assim, na Espanha: o nacionalismo monárquico do governo central do PP seria de direita; o nacionalismo catalão da Esquerda Republicana, do Juntos pela Catalunha e do CUP seriam de esquerda e republicanos.

Finalmente, procuramos no mais moderno dicionário de sinónimos da Internet: encontramos, como sinónimo de nacionalista, patriota. Como antónimo, antipatriota.

Os dicionários e a Internet não confirmam que sejam antónimos, como pretende o mestre Rui Tavares. Os conceitos de patriotismo e nacionalismo são sinónimos!

É certo que como reação ao salazarismo, nacionalista de direita e antidemocrático, preferimos “patriotismo” ao “nacionalismo”. O que também afirmamos no artigo referido que Rui Tavares denigre no seu artigo do PÚBLICO, com o título chocalheiro: “Com estimas destas ninguém precisa de estigmas”.

Rui Tavares tem um dicionário e Internet pessoal, só para ele, consentâneo com as suas idiossincrasias. Compreende-se, pois, que Rui Tavares tivesse de ler “dez vezes”, segundo o próprio, para perceber o nosso artigo.

Não ousamos por em causa os dotes intelectuais de R.T.. Teria sido preferível, contudo, que ele, em vez de zurzir catedráticos e associados, tivesse, simplesmente, ido ao dicionário ou à Internet.

Não era desnecessário, todavia, ser mal-educado, acusando-nos de desonestidade intelectual: “Agora deve ser chato para caloiros ver catedráticos fazer aquilo que lhes foi dito ser proibido pelas mais básicas regras da honestidade intelectual.”

Rui Tavares também foi despropositado ao sofrer as dores de J.C. Juncker, perante os nossos comentários, referindo-o!

Vai ao ponto de considerar que o “achincalhamos” ao referir que “são deploráveis os comentários de Jean-Claude Juncker, ex-líder de um minúsculo país, o Luxemburgo, sobre quantos Estados deverão integrar a UE”, sendo claro que deverão integrar a UE todos os Estado europeus que cumprirem os requisitos de entrada.

Foi ou não J.C. Juncker ex-líder de um minúsculo país (e também de um paraíso fiscal enquanto ele foi lider) de 2586 km2? Quando é que os factos, a verdade, são “achincalhantes”?

Será que quando referimos que a “Confederação Helvética é um pequenos país alpino da Europa Central (41.245 km2, metade de Portugal)”, e depois consideramos o federalismo democrático helvético como modelo para a Europa, estamos a “achincalhar” a Suíça?

Ainda por cima, eliminando o contexto.

J.C. Juncker fez esta apreciação denegrindo as aspirações independentistas do pequeno país catalão. Aspirações independentistas são apanágio, em geral, de pequenos países: Catalunha (32.108 km2), Córsega (8680 km2), Bretanha (34.022 km2), Pais Basco (7234 km2), Flandres (13.521 Km2), Escócia (80.077 km2)... Não fazem mossa a ninguém...

O que quisemos fazer a Juncker, ex-líder de um pequeníssimo país, foi de facto confrontá-lo com esse facto. O que Rui Tavares não percebeu, ou fez que não percebia! Eurico Figueiredo, Professor Catedrático Jubilado da Universidade do Porto