Rússia nega responsabilidade no caso do ex-espião e exige provas a Londres

Sergei Lavrov afirmou que os pedidos de Moscovo para que o Reino Unido partilhe amostras do gás de nervos utilizado para tentar matar Sergei Skripal foram rejeitados. Ministro dos Negócios Estrangeiros russo sugeriu que o prazo dado por Theresa May não será respeitado.

Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo
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Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo LUSA/SERGEI CHIRIKOV

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, garantiu nesta terça-feira numa conferência de imprensa que a Rússia não tem qualquer responsabilidade no envenenamento do antigo espião russo, Sergei Skripal, e da filha deste, na cidade britânica de Salisbury, e exigiu receber provas das autoridades do Reino Unido. O embaixador britânico em Moscovo foi também chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo onde deverá receber uma mensagem semelhante.

De acordo com o Guardian, Lavrov sugeriu que não será possível respeitar o prazo dado pela primeira-ministra britânica, Theresa May - até à meia-noite desta terça-feira – para que Moscovo dê explicações para o sucedido, correndo o risco de sofrer retaliações por parte de Londres, sob a forma de sanções.

Além disso, o ministro diz que os pedidos do Kremlin para que sejam dadas amostras do gás de nervos utilizado para tentar matar Skripal foram rejeitados, o que constitui uma violação da convenção internacional sobre armas químicas.

“A Rússia está pronta a cooperar, de acordo com a convenção para banir armas químicas, se o Reino Unido se comprometer com as suas obrigações, ao abrigo da mesma convenção”, afirmou Lavrov. A Rússia tem dez dias para responder a uma acusação formal do Reino Unido por utilização de armas químicas, tal como estipula esta convenção internacional.

Na segunda-feira, Theresa May dirigiu-se ao Parlamento para dizer aos deputados que é “altamente provável” que a Rússia tenha estado por trás da tentativa de homicídio do antigo espião e da filha, Iulia – ambos estão ainda internados em estado grave.

A primeira-ministra britânica referiu que o gás de nervos utilizado faz parte da série chamada Novichok, produzida na União Soviética durante os anos 1970 e 1980 e que será ainda fabricada pela Rússia.

May estabeleceu assim um prazo até à meia-noite desta terça-feira, durante o qual o embaixador russo em Londres deverá apresentar explicações sobre o caso. Se as explicações não forem consideradas “credíveis”, a primeira-ministra regressará quarta-feira ao Parlamento para divulgar a retaliação por parte do Reino Unido.

Aliados reagem

Todo este caso já motivou também reacções de alguns dos aliados do Reino Unido. Rex Tillerson, agora ex-secretário de Estado norte-americano, falou com Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, e garantiu que concorda que a Rússia é a responsável pela tentativa de homicídio.

Mais contida foi a reacção do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos precisam ainda de esclarecer todos os factos para chegarem a alguma conclusão sobre este caso: "Assim que tivermos todos os factos, se concordarmos com eles, vamos condenar a Rússia ou quem quer que tenha sido", responsável pelo envenenamento.

“Nós concordamos que os responsáveis – os que cometeram o crime e os que o ordenaram – têm de enfrentar as consequências sérias apropriadas”, acrescentou Tillerson, citado pela BBC.

May também falou com o Presidente francês, Emmanuel Macron, logo na segunda-feira, numa conversa onde foi abordado “o padrão de comportamento agressivo da Rússia”, explicou um porta-voz da governante britânica.  

Nesta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros gaulês, Jean-Yves Le Drian, disse que o ataque ao antigo espião russo e à filha é “totalmente inaceitável”, sem referir, no entanto, a possível culpa da Rússia.