Incêndio provocado por curto-circuito mata cerca de 200 pombos de competição

Bombeiros chegaram ao local quando a estrutura tinha sido praticamente “consumida pelas chamas”. Sobreviveram cerca de 50 pombos-correio.

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A columbofilia é uma prática popular em Portugal, existindo 4,5 milhões de pombos-correios registados Adriano Miranda/Arquivo

Um incêndio num pombal de Vila do Conde matou, ao início da manhã desta terça-feira, cerca de 200 pombos de competição. Na origem do fogo, na freguesia de Toguinha, estará um curto-circuito. Sobreviveram cerca de 50 pombos-correio.

Quando os bombeiros chegaram ao local, a estrutura já tinha sido praticamente “consumida pelas chamas”, disse ao PÚBLICO o comandante Joaquim Moreira. Havendo “pouco a fazer”, a corporação limitou-se a diminuir os danos do fogo, que deflagrou por volta das 7h. Foram mobilizados cinco viaturas dos bombeiros e 12 elementos, assim como a GNR.

O pombal pertence ao columbófilo Pedro Simão Rodrigues, que cria estes pombos para fins desportivos, de acordo com o comandante Joaquim Moreira. Trata-se de uma actividade popular em Portugal. A Federação de Columbofilia Portuguesa diz que é a segunda modalidade mais praticada no país depois do futebol.

O que são pombos de competição?

Os pombos de competição são pombos-correio, que serviram como meio de comunicação, sobretudo para fins militares, ao longo dos séculos. A diferença é o fim para que criados. Hoje em dia, estes pombais estão maioritariamente vocacionados para a competição desportiva. Mesmo assim em alguns países — como Espanha e Cuba — a criação de pombos-correio continua a depender do Ministério da Defesa.

Estes pombos recebem um tratamento cuidado, sobretudo na alimentação. A energia despendida nos voos tem de ser compensada por uma dieta fortalecida composta: “por mais de 25 diferentes tipos de sementes, suplementos energéticos e vitamínicos”, lê-se no site da Federação Portuguesa de Columbofilia.

Usando o campo magnético da Terra para se orientarem (e não o posicionamento do Sol, como se pensava inicialmente), estas aves podem percorrer entre 300 quilómetros (provas de velocidade) e 1100 quilómetros (provas de fundo) em competição. Atingem uma velocidade média de 120 quilómetros/hora e neceissitam, por isso, de um treino rigoroso e diário, iniciado logo aos dois meses de idade.

Ainda segundo o site da Federação Portuguesa de Columbofilia, existem registados quatro milhões e meio de pombos-correios em Portugal, distribuídos por cerca de 20.000 associados, 750 clubes dedicados a esta prática e 14 associações distritais.

Texto editado por Hugo Torres