Comunidade cigana de Faro vai regressar ao acampamento

O município garante apoio para refazer as barracas, queixando-se ao Governo que as poucas casas que existem no concelho são “caríssimas” e não há construção a custos controlados

Marcelo visitou a comunidade cignana que está provisoriamente instalada num pavilhão gimnodesportivo
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Marcelo visitou a comunidade cignana que está provisoriamente instalada num pavilhão gimnodesportivo LUSA/LUÍS FORRA

A comunidade cigana, desalojada na sequência no temporal que se abateu sobre a cidade de Faro há uma semana, vai regressar ao acampamento esta semana. Porém, ao contrário das expectativas dos desalojados, não vão ter direito a novas habitações. “Não temos uma varinha de condão, não é possível resolver este problema no curto e médio prazo”, disse nesta segunda-feira o presidente da câmara de Faro, Rogério Bacalhau, admitindo não dispor de meios para superar as dificuldades de habitação do concelho, sobretudo para as classes de menores rendimentos.

O auxílio que será prestado a mais de uma centena de pessoas desalojadas, disse, destina-se a “refazerem as habitações onde se encontravam”. O autarca reuniu nesta segunda-feira com a secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, mas não obteve da governante resposta satisfatória, no curto prazo, para a falta de alojamentos no concelho. O pavilhão municipal, provisoriamente convertido em acampamento, admitiu, “não garante a privacidade e, portanto, as condições também não são as melhores”.

A resposta para uma solução eficaz, disse, implicava possuir 35 casas para entregar de imediato - mas estas não existem. As carências habitacionais em Faro são transversais a toda a sociedade: "Os problemas de habitação existem para as famílias em todos os estratos sociais – hoje, não há habitação em Faro e a que há é caríssima”, enfatizou. O autarca social-democrata adiantou que apresentará, dentro de um mês, um programa para construção a custos controlados. Para isso, a autarquia diz já dispor de “alguns terrenos” para desenvolver o plano, mas não são suficientes.

Pelo lado da administração central, Ana Pinho disse que existem “instrumentos de ajuda” no sector da habitação a anunciar, publicamente, dentro de um mês. O programa chama-se “Primeiro Direito”, já esteve em consulta pública e está agendado para ir a reunião de Conselho de Ministros. Para responder a situações especiais, acrescentou, “existe o Porta de Entrada – um programa que enquadrará todos os apoios do Estado, em casos de excepção, seja por movimentos migratórios ou derivados de catástrofes”, mas que ainda não está em vigor.

Durante o fim-de-semana, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o concelho de Faro tendo tomada contacto com um vasto leque de situações, desde os estragos causados na orla costeira da Ilha de Faro (a fragilidade do cordão dunar) até às zonas agrícolas, sem esquecer o conforto à comunidade cigana, a viver num gimnodesportivo desde 4 de Março.

A câmara, entretanto, emitiu um comunicado em que avalia em mais de sete milhões de euros os prejuízos causados pela intempérie. Rogério Bacalhau chegou a anunciar que o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, também teria uma reunião de trabalho com o município, mas o encontro foi cancelado.