Liga grega suspensa devido a incidente com arma em pleno relvado

Governo reclama consenso para reforçar segurança nos estádios. Jogador português lamenta não ter havido protecção policial.

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O Governo da Grécia decidiu suspender a principal Liga de futebol após o presidente do PAOK de Salónica ter invadido o relvado com uma arma à cintura, no domingo, em protesto contra um golo invalidado nos descontos, no jogo contra o AEK de Atenas. O encontro entre candidatos ao título acabou por ser interrompido, depois de duas horas de incerteza em que muitos jogadores permaneceram no relvado. 

O incidente ocorreu num contexto de proximidade entre os dois rivais na tabela. A equipa da casa — que se encontra em segundo lugar, a dois pontos do AEK — precisava de ganhar para se apoderar da liderança. A escassos segundos do fim, o cabo-verdiano Fernando Varela cabeceou a bola, que entrou na baliza da equipa de Atenas, mas não sem antes passar por baixo do corpo de Maurício, em posição de fora-de-jogo. 

O golo foi inicialmente validado pelo árbitro que, momentos depois, decidiu consultar o auxiliar. Após vários minutos de diálogo, e com os jogadores de ambas equipas a pressionar os juízes, a decisão foi revertida e o lance invalidado. O descontentamento das bancadas passou para o relvado, com o presidente do PAOK a invadir o terreno de jogo com um coldre à cintura. Ao entrar nas quatro linhas, Ivan Savvidis pediu à equipa para sair do terreno e abandonar o jogo. Vieirinha, capitão do emblema de Salónica, começou por se recusar a recolher aos balneários, mas um dos membros da direcção do PAOK correu para o árbitro e agitou os braços, ditando o fim da partida. 

A equipa de arbitragem recolheu às cabinas e, na ficha de jogo, diz o PAOK, voltou a reverter a decisão e atribuiu a Fernando Varela o golo da vitória, aplicando uma derrota aos homens de Atenas, que “se recusaram a sair do balneário”. A versão do AEK é diferente, com o clube a alegar que o presidente do PAOK ameaçou o árbitro, gritando-lhe: “És um homem morto”. E reclama sanções.  

André Simões, jogador do AEK, em declarações à TSF confessou que, num primeiro momento, não se apercebeu de que o presidente do PAOK estava armado, apontando o dedo às autoridades: “Não tivemos protecção alguma da polícia. Nem queriam intervir porque tinham tanto medo como nós”, referiu o médio português. “Ninguém [espectadores] se apercebeu que Savvidis estava armado até serem divulgadas as imagens” acrescenta Vasilis Tempelis, jornalista desportivo grego. 

O presidente do PAOK foi entretanto alvo de um mandado de captura por parte das autoridades helénicas, por invasão de campo. A posse do revólver não trará sanções pessoais ao magnata grego, que tem também nacionalidade russa, visto que Ivan Savvidis tem licença de porte de arma. Ainda assim, a reacção do Governo foi imediata. O ministro-adjunto da Cultura e Desportos confirmou que o campeonato está suspenso e apenas será retomado quando existir “um quadro [de condições e regras] que reúna o consenso de todos”. Até lá, a principal competição ficará suspensa por tempo indefinido. 

A decisão intempestiva dos responsáveis do PAOK no embate com o AEK deve-se, também, ao sentimento de injustiça provocado pelo adiamento do clássico com o Olympiacos, no mês passado. Na altura, um rolo de papel atingiu o técnico da equipa de Atenas e a equipa de Salónica foi punida com a perda de seis pontos e dois jogos à porta fechada, mas recorreu da decisão judicial, suspendendo provisoriamente as sanções.