Helder Macedo vence Prémio D. Diniz

Júri composto por Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia escolheu por unanimidade o livro de ensaios Camões e Outros Contemporâneos.

Miguel Manso
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Miguel Manso

Camões e Outros Contemporâneos (Presença, 2017), de Helder Macedo, venceu a edição de 2018 do prémio D. Diniz, atribuído pela Fundação Casa de Mateus. Coligindo 25 textos dedicados a autores de diferentes épocas, desde o próprio D. Dinis, patrono deste prémio, a poetas mais literalmente contemporâneos do autor, como Mário Cesariny, Herberto Helder ou Manuel de Castro, o livro foi a escolha unânime do júri , composto pelos poetas e ensaístas Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia.   

“Poeta e romancista reconhecido, Helder Macedo oferece-nos neste livro da sua vertente ensaística um percurso pela literatura portuguesa, da Idade Média à actualidade, em que a familiaridade com os grandes autores do passado e os do presente nos aproxima do seu universo, cruzando criação e vida”, diz a acta do júri, que assinala ainda a coincidência de o prémio ser atribuído “a uma obra que começa precisamente pela análise inovadora de uma cantiga de amigo do rei poeta que o nome do prémio celebra”. Conquistou ainda os jurados o modo como Macedo “assume a ousadia das suas descobertas e o faz com uma erudição que, longe de afastar o leitor, o fascina pelos novos horizontes que vem abrir”.

Começando na literatura medieval e passando por autores como Manuel Teixeira-Gomes, Eça de Queirós, Cesário Verde ou os seus camaradas de tertúlia dos tempos do Café Gelo, Macedo termina o volume com uma tentativa de inventariar os principais autores da literatura portuguesa desde os cancioneiros medievais ao presente, mas procurando sempre enquadrá-los nos respectivos contextos históricos e culturais.

Helder Macedo torna-se assim o segundo autor, depois de Mário Cláudio com o seu romance autobiográfico Astronomia, a vencer o Prémio D. Diniz desde que este foi retomado após ter estado alguns anos suspenso. Criado em 1980, quando galardoou Agustina Bessa-Luís e Almeida Faria, o prémio, que se destina a obras de poesia, ficção ou ensaio, foi regularmente atribuído até 2011, quando Maria Teresa Horta o venceu com As Luzes de Leonor. No ano seguinte, o Governo anunciou que deixaria de financiar o prémio e a Fundação Casa de Mateus decidiu suspendê-lo. 

A sessão de entrega formal do prémio a Helder Macedo está agendada para 6 de Outubro de 2018, na Casa de Mateus, e contará com a presença do Presidente da República.