De Freud à verdade: o último dia na ModaLisboa

Na 50.ª edição, a passerelle do pavilhão Carlos Lopes recebeu designers como Filipe Faísca, Dino Alves, Ricardo Andrez e Kolovrat.

Olga Noronha
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Filipe Faísca
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Ricardo Andrez
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Dino Alves
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Dino Alves ModaLisboa

Ao longo dos últimos três dias, a moda chegou a Lisboa com os designers portugueses a mostrar o que vai ser o Outono/Inverno deste ano.

A designer de joalharia Olga Noronha voltou a marcar presença neste evento, desta vez, na Estufa Fria onde apresentou uma colecção para a qual foi buscar inspiração a Sigmundo Freud e à expressão “uncanny”, que significa algo misterioso, estranho e impossível de explicar.

Com “uma incerteza intelectual resultante da ‘extinção da distinção entre imaginação e realidade’”, a designer optou por uma silhueta deformada e distorcida e apostou em tons claros e em materiais muito diversos, do poliuretano ao silicone e teflon, passando pela folha de ouro e o caviar.

A ModaLisboa rumou, de seguida, ao Pavilhão Carlos Lopes, onde David Ferreira apresentou a colecção “Grandma’s Girl”, “já que roubar o guarda-roupa das avós e dar-lhe um flare nunca esteve tão in”. “Do PVC à pele de cordeiro da Mongólia, veludo, seda e lã, os coordenados guiam-nos numa viagem entre o fitted e o oversized”, explica. Além de rasgões “inspirados no momento em que Kate Moss rasgou um vestido, deu um nó e ficou fabulosa na mesma”, o designer acrescenta que escolheu o camel, bege, bronze, lilás, branco e preto para dar cor às peças da próxima estação.

A colecção sem estação de Faísca

Para a sua 24.ª participação na ModaLisboa, o designer Filipe Faísca foi buscar inspiração para “Sexto Sentido”, depois de um convite do Instituto de Vinho e do Bordado da Madeira, “que está a tentar dinamizar e promover não só o bordado da região como o trabalho artesanal português”, revela ao PÚBLICO.

Segundo o criador, o bordado da Madeira é caracterizado pela sua perfeição, o que tornou esta colecção muito romântica, campestre, feminina, fluída e “sem estação”. Apesar de a origem deste trabalho artesanal remontar ao século XV, integra-se no guarda-roupa da “mulher moderna, sofisticada, exigente e prática”, através de peças com linhas clássicas, fluidas, oversize e descontraídas, explica.

“Cada vez mais estamos ligados ao indizível, ligados ao sentir e não ao pensar e racionalizar”, declara, justificando assim o nome dado à colecção. “Eu tenho de sentir aquilo que a pessoa vai querer, sem a manipular ou controlar”, acrescenta.

Os vestidos, camisas, túnicas, casacos, calças e saias mantiveram assim o romantismo dos bordados da madeira através das cores utilizadas como o branco, cru, marfim, ametista, preto meia-noite e vermelho. A colecção já está à venda.

Depois foi a vez de Kolovrat, que apresentou “Shape Shift". Além de cores berrantes como o verde, o laranja, roxo e amarelo destacaram-se as linhas oversize e sobreposições.

Apropriação das grandes marcas

Já Ricardo Andrez fez uma crítica social ao streetwear através da colecção THE TFK´S (TrustFunKids).  Desta forma, o designer usou “um padrão de uma marca conhecida” que acabou por cunhar com notas. “É uma espécie de sátira em relação à apropriação das grandes marcas por outras mais pequenas. Foram criadas nos anos 1980 para um público mais underground, ou seja, para minorias”, explica ao PÚBLICO, acrescentando que actualmente houve uma massificação que tornaram o seu trabalho mainstream.

Já conhecido pela reinterpretação do streetwear, o designer optou mais uma vez pelo oversize e pelo “no gender”, ou seja, qualquer pessoa pode vestir o que desenha. Relativamente às cores, além do conhecido xadrez bege, branco, vermelho e preto, escolheu o cor-de-rosa e o azul para conseguir um “efeito neon”.

Para finalizar a 50.ª edição da ModaLisboa, Dino Alves sujou a passerelle e apresentou “A outra verdade”. As peças foram moldadas em tecidos variados como a seda, o algodão, a lã, a viscose, a bombazina e o vinyl.

Com uma silhueta disforme, distorcida e ampla, as propostas revelam “linhas de cintura fora do lugar habitual sugerindo uma certa imperfeição e desproporção física”. Estas peças, “feitas com moldes normalmente usados noutras diferentes”, apresentam cores como o preto, branco marfim, nude, pérola, amarelo torrado, laranja, bege, castanho, lilás, roxo, azuis, verdes e vermelho. O designer optou ainda por usar prateados, estampados e riscas.

Texto editado por Bárbara Wong