Reportagem

Assunção Cristas “já superou” Paulo Portas como líder do CDS

Militantes enaltecem liderança da sucessora do histórico presidente democrata-cristão.

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Adriano Miranda

Dois anos depois de ter deixado a liderança do CDS, Paulo Portas já quase só existe no imaginário de muitos militantes. Assunção Cristal é considerada uma líder “com carisma “ e com “força de vencer” e isso agrada aos militantes que esperam dela novas vitórias para o partido. Mas também esperam que o partido, sob a sua liderança, se modernize, encontrando respostas para temas como a eutanásia, o aborto ou a gestação de substituição, mais conhecida como barrigas de aluguer.

José Carneiro Júnior, militante de Lamego, afirma que Assunção Cristas “já superou Paulo Portas”. Militante desde a década de oitenta, este reformado, que entrou no partido pela mão de um antigo deputado de Viseu, João Morgado, sabe na ponta da língua o nome de todos os ex-líderes do partido e conta até que chegou a conhecer alguns deles, tendo mesmo ajudado Basílio Horta na sua campanha presidencial. Para este militante de base, Diogo Freitas do Amaral foi “o melhor líder que o CDS teve” e foi com ele na presidência que entrou para o CDS. A Paulo Portas, reconhece-lhe competência, mas diz que o seu tempo já passou e que o partido “está muito bem entregue Assunção Cristas - e não é só pelo resultado que obteve em Lisboa nas autárquicas”. “A doutora Assunção Cristas tem o dom da palavra, tem carisma e tem a força de vencer”, avalia.

Apesar dos elogios que faz à líder, este militante de 72 anos não tem dúvidas que o partido tem de se ajustar à realidade, modernizando-se, encontrando respostas para algumas temas que estão na agenda, que vão da eutanásia à gestação de substituição. Quanto à primeira, considera que o partido tem de ter uma posição “mais aberta”. Ja relativamente às barrigas de aluguer, coloca-se ao lado da posição do CDS.

Na mesma linha, manifesta-se Manuel Vilela, um militante que veio de Alijó para participar no congresso deste fim-de-semana. Agricultor de profissão, Manuel Vilela entende que o CDS deve encarar alguns temas sensíveis, como a eutanásia, de outra forma. “As mentalidades mudam e os partidos têm de modernizar-se e o CDS perde se não enveredar pelo caminho da mudança”, realça Manuel Vilela, que não acha bem que o partido “ataque tanto a esquerda”, porque - frisa – “não é na crítica que se afirma; é no fazer melhor que se impõe”.

Quanto a Paulo Portas, este militante coloca-o na galeria de conselheiro do partido, por entender que “é um dos melhores políticos portugueses, com um profundo conhecimento da história”. “O seu conhecimento poderia ser-nos útil, por exemplo, a trabalhar numa embaixada”, declara. Este militante de Alijó assume que aprecia o estilo de Assunção Cristas e considera mesmo que a presidente “está a superar” Paulo Portas na liderança dos democratas-cristãos.

E o que pensa Cidália Cunha, ex-vereadora do CDS da Câmara de Vizela? “Acho que não se pode fazer essa analogia!”, afirma. Com mais de duas décadas de militância, a ex-autarca de Vizela não encontra semelhanças entre os dois. “São duas personalidades muito diferentes. São incomparáveis”, atira, embora sublinhando que “é muito difícil superar o Paulo”. Cidália Cunha observa, contudo, que “Assunção Crista, como mulher, enquadrou-se muito bem na pele de líder” e olha para ela como alguém que pode fazer com que o partido cresça e se abra à sociedade.