Pires de Lima propõe que rendimentos não paguem mais de 50% de impostos

Cristas tem “afirmado uma identidade própria” no CDS que deve ser alternativa aos socialistas. Mas o ex-dirigente avisou que o adversário não é o PSD.

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“O nosso adversário não é o PSD”, alertou Pires de Lima ADRIANO MIRANDA

O antigo dirigente do CDS António Pires de Lima defendeu que seja adoptado um tecto de 50% para os impostos sobre o rendimento, juntando IRS e Segurança Social. O ministro da Economia do Governo PSD-CDS sustentou que o ideal era que “ninguém fosse obrigado a dar ao Estado mais de 50% dos seus rendimentos”, já que Portugal deve ser um “bom país para aqueles que aqui escolheram trabalhar”, quando hoje em dia “quem vive do seu trabalho em Portugal vive num regime de servidão fiscal”.

Pires de Lima defendeu esta medida num momento em está “ultrapassado o tempo da emergência”, pelo que esta medida devia ser adoptada em quatro anos, de modo a reverter “o agravamento de impostos” que foi feito durante a intervenção da troika pelo Governo em que foi ministro da Economia.

Defendendo que a “economia não aguenta duas legislaturas” governada pela actual aliança de esquerda, Pires de Lima afirmou que “seria bom” que o próximo “primeiro-ministro viesse do CDS”. Mas alertou: “O nosso adversário não é o PSD (…) com quem devemos governar.”

Amigo pessoal de Paulo Portas, Pires de Lima começou por salientar que o CDS procedeu à substituição de “um líder muito carismático”, Paulo Portas, por Assunção Cristas, uma líder que tem “afirmado uma identidade própria”. E considerou mesmo que o CDS “evolui nos últimos anos” para “uma casa tranquila”, sendo uma partido de “oposição combativa, mas também de oposição construtiva”. Pelo que “o CDS é hoje, para muitos portugueses” uma alternativa política à “esquerda radical”.

Até porque o Governo do PS colocou Portugal numa “espécie de mood relax de ambição limitada”, que mais não faz do que “pegar no dinheiro e distribuir regalias pelos sindicatos” da “esquerda radical”. E em que o Governo faz um “mexe-mexe fiscal que a todos deixa em suspenso, que alimenta a incerteza e que não se aguenta mais”.

Pires de Lima criticou ainda o facto de estar “parada a reforma do IRC” que o seu Governo lançou, defendendo que “quem investe em Portugal tem que saber que impostos vai pagar” e uma “fiscalidade mais amiga das empresas”.