Vai mesmo haver uma parada militar em Washington (mas sem tanques)

Trump pediu e o Pentágono concedeu. Só há uma limitação: não haverá tanques na parada militar de Washington para minimizar estragos nas "infra-estruturas". Não se sabe ao certo quanto vai custar aos contribuintes norte-americanos.

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O Presidente vai assistir à parada rodeado de veteranos de guerra Reuters/TORU HANAI

Em Janeiro, Trump pediu uma parada como a do Dia da Bastilha, em Paris, com tanques, armas e aviões a sobrevoar Washington. O Pentágono concedeu a parada – mas sem tanques, para minimizar estragos nas ruas. A data já está marcada: 11 de Novembro, Dia dos Veteranos nos EUA, fez saber um memorando do Pentágono, tornado público esta sexta-feira.

De acordo com o memorando do Departamento de Defesa norte-americano, a parada de Novembro pode incluir “veículos com rodas”, com excepção de tanques, de forma a “minimizar os perigos às infra-estruturas locais”, cita a AP. Apesar desta proibição, há autorização para “incluir uma componente aérea no final da parada”, fez saber o secretário norte-americano da Defesa, Jim Mattis, no memorando.

Esta parada vai ser parte integrante de uma celebração que já existe, dedicada aos veteranos de guerra norte-americanos. O comunicado do Pentágono desenha ainda um rascunho para o chefe do Estado-maior, o general Joseph Dunford, cuja equipa vai planear o desfile, escreve a CNN. Fica a saber-se que a parada vai percorrer a totalidade da Avenida da Pensilvânia, da Casa Branca ao Capitólio, e vai celebrar as contribuições dos veteranos norte-americanos na História das Forças Armadas, desde a Guerra da Independência, com “ênfase no preço da liberdade”, lê-se no memorando. O destaque irá também para a evolução das mulheres veteranas desde a 2.ª Guerra Mundial até ao presente. A música vai ficar a cargo dos Old Guard Fife and Drums, um grupo musical conhecido por desfilar com uniformes de época.

O Presidente vai assistir à parada na companhia de veteranos e condecorados com a medalha de honra, a maior distinção atribuída a elementos das Forças Armadas norte-americanas.

O memorando do Pentágono não avança quaisquer valores para esta demonstração. Contudo, o director de Orçamento da Casa Branca estimou que o custo total se situasse entre os 10 milhões e os 30 milhões de dólares (entre oito e 24 milhões de euros, aproximadamente), de acordo com os valores disponibilizados ao Congresso. Os críticos (incluindo a maioria dos democratas) afirmam que é um valor muito elevado numa altura em que as Forças Armadas norte-americanas são obrigadas a apertar o cinto. “Que desperdício de dinheiro”, tweetou o representante democrata Jim McGovern, em Janeiro, quando a ideia do Presidente foi conhecida.

Já o secretário da Defesa, Jim Mattis, considera que a parada demonstra “o carinho do Presidente e o respeito pelas Forças Armadas”, cita a BBC.

O pedido desta parada foi feito numa reunião com o Pentágono, a 18 de Janeiro. Meses antes, em Julho, Trump foi convidado por Macron para estar presente no desfile militar de celebração da tomada da Bastilha, o Dia Nacional em França. A mais antiga e a maior parada militar na Europa impressionou de tal forma o Presidente norte-americano que este quis replicá-la. “Vamos ter de experimentar também e fazer ainda melhor”, disse, segundo a BBC.

Trump não esconde a sua admiração pelas Forças Armadas, uma das prioridades de financiamento da sua Administração.

As paradas militares são raras nos EUA. A última foi há quase 27 anos, em Junho de 1991. Nessa altura, o inquilino da Casa Branca era George Bush e festejava-se a vitória na Guerra do Golfo, travada entre os EUA e o Iraque, contra as forças de Saddam Hussein.