GNR resgata idosos sujeitos a maus tratos por falsos cuidadores

Têm entre 60 e 84 anos e foram tirados esta semana de duas habitações onde viviam sem as mínimas condições de higiene e habitalidade.

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Investigação começou com uma denúncia anónima ADRIANO MIRANDA

Cinco idosos viviam em duas habituações onde eram mantidos para receber cuidados continuados, no distrito de Aveiro. Viviam em “camas podres que não eram limpas" e não recebiam os cuidados básicos da higiene, disse o oficial de relações públicas do comando territorial de Aveiro da GNR, tenente Gonçalo Ribeiro, que não avançou mais informações sobre as condições em que estes idosos viviam: se eram alimentados e a sua saúde tratada. Têm entre os 60 e os 84 anos e nem todos têm familiares por perto. 

A investigação ainda está no início e são poucos os contornos conhecidos ou que podem ser revelados, como por exemplo saber há quanto tempo viviam nestas condições. Houve uma denúncia anónima e a investigação foi delegada na GNR de Aveiro, há cerca de quatro meses. O processo de inquérito corre no Tribunal de Oliveira de Azeméis, que depende do Tribunal de Aveiro.

Os idosos foram realojados na passada segunda-feira, depois de terem sido retirados das habitações suspeitas pela GNR acompanhados de técnicos da Segurança Social. Pelo menos um deles tem família, tendo ficado em casa de parentes próximos. Outros foram acolhidos em lares.

Das quatro buscas às habitações nos concelhos de Oliveira de Azeméis, Estarreja e Albergaria-a-Velha, resultou a apreensão de documentos que permitiram produzir prova: os três homens e as duas mulheres constituídos arguidos tinham montado um  esquema fraudulento.

Com um cunho e um contra-cunho de selo branco de notariado autenticavam documentos falsos e passavam vinhetas falsas para obterem ilegalmente comparticipações do Serviço Nacional de Saúde, refere a GNR no comunicado divulgado nesta sexta-feira. Além da documentação, que inclui receitas em branco, e de cinco computadores, a GNR também apreendeu uma arma de fogo e três armas brancas. Para já, não há qualquer indício do recurso às armas para coagir os idosos, esclareceu o tenente Ribeiro.  

A investigação do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas da GNR de São João da Madeira vai continuar, explica o responsável: para avaliar a dimensão do desfalque à Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde mas também "para perceber se podem ou não existir outras ligações a este esquema fraudulento " e se outros suspeitos estarão envolvidos. 

Para já, os cinco cuidadores falsos foram constituídos arguidos pela prática de crimes de maus tratos. Os arguidos têm entre os 40 e os 85 anos, não terão ligações familiares entre si, e são dos concelhos de Oliveira de Azeméis, Estarreja e Albergaria-a-Velha, onde decorreram as buscas da GNR.