Família de Frida não quer ver uma Barbie a personificar a artista mexicana

No seguimento do recente lançamento da Mattel, a família de Frida Kahlo mostrou-se descontente com a nova Barbie, criada à imagem da pintora.

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Twitter, @Barbie

A Mattel anunciou esta semana 17 novas barbies, criadas à imagem de mulheres "inspiradoras", de áreas tão distintas quanto o desporto e o cinema. Frida Kahlo é uma delas, mas a família da artista mexicana não se mostrou muito contente com o lançamento.

Segundo esta, a Mattel não terá a devida autorização para utilizar a imagem de Kahlo – uma posição que tanto a Frida Kahlo Corporation como a Mattel rejeitam. "A senhora Mara Romeo, sobrinha-neta da Frida Kahlo, é a única detentora dos direitos de imagem da ilustre pintora mexicana", avança a família em comunicado, citada pela BBC. Romeo explica ainda à AFP que não tem um problema só com os direitos de imagem: "Gostaria que a boneca tivesse traços mais como os da Frida, não esta boneca com olhos claros."

A empresa fabricante da Barbie respodeu. "A Mattel trabalhou em parceria com a Frida Kahlo Corporation, a dona de todos os direitos relacionados com o nome e identidade da Frida Kahlo, na criação desta boneca. Temos a sua permissão e um acordo legal para fazer uma boneca à imagem da grande Frida Kahlo", diz uma porta-voz da Mattel, citada pelo jornal britânico. A empresa terá ainda mostrado uma declaração da Frida Kahlo Corporation que demonstra que os direitos de reproduzir a imagem da artista vêm da sua sobrinha, Pinedo Kahlo.

A nova Barbie está longe de ser o único produto comercial a usar a imagem de Frida Kahlo ou sequer a gerar um conflito deste tipo com a família da artista. Desde a sua morte, em 1954, que foram produzidos centenas de artigos das mais diversas categorias, desde cosmética à moda, passando pelos emojis. Até a conservadora Theresa May já foi vista em eventos públicos com uma pulseira com fotografias da artista e activista comunista.

"O que agora é conhecido de forma carinhosa como 'Fridamania' tem estado em ascensão há várias décadas. A imagem da artista tem-se materializado com particular frequência em 2017, em meios cada vez mais diversos", observa a Artsy, num artigo sobre como Frida Kahlo se tornou uma marca global. A artista é um "símbolo de resiliência contra a adversidade e opressão patriarcal, uma feminista e, graças aos seus caso com homens e mulheres, uma figura de culto na comunidade queer".