Conduzir, a verdadeira independência para as mulheres na Arábia Saudita

Na universidade Effat, em Jeddah, há mulheres sauditas a ter aulas de condução pela primeira vez. “Conduzir, para mim, é a verdadeira liberdade e independência para as mulheres”, diz à Reuters Fatmah Haroon. “Para as mulheres é uma espécie de libertação, em vez de ficarem dependentes, agora vamos onde queremos. Teremos mais liberdade para fazermos as nossas coisas, mais liberdade para desempenhar o nosso trabalho devidamente, e para a carreira das mulheres, vai simplificar bastante", explicou. A taxa de desemprego das mulheres no Médio Oriente é o dobro da dos homens, revelou esta semana a ONU. Homens e mulheres não têm igualdade nas oportunidades de trabalho nem tão pouco equivalência salarial. A Arábia Saudita está, de resto, na lista dos cinco países do Médio Oriente com a menor participação das mulheres na economia. Apesar da autorização para conduzirem (que já havia sido anunciada e entrará em vigor em Junho), as mulheres continuam a não poder prescindir da autorização de um homem para se poderem deslocar. Na Arábia Saudita, as mulheres estão submetidas à tutela de um homem da família, normalmente o pai, o marido ou um irmão, para estudarem ou viajar. 

A possibilidade de conduzir um automóvel, na Arábia Saudita, tornou-se símbolo da libertação das mulheres no país que tem, nos últimos anos, apostado em reformas na economia mas também na sociedade. Quando no final de 2015 as mulheres foram, pela primeira vez, autorizadas a votar e a candidatar-se a eleições na Arábia Saudita, houve uma excepção: as mulheres que defendiam publicamente o direito a conduzir não foram autorizadas a concorrer às eleições. No quadro de um ambicioso plano de reformas económicas e sociais para o horizonte de 2030, no sentido de limitar a dependência do petróleo, Riade parece estar a amenizar restrições que eram impostas às mulheres, apesar da oposição dos ultraconservadores. 

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