Livre junta-se a Varoufakis para criar movimento pan-europeu às eleições de 2019

Vários movimentos de diversos países reúnem-se em Nápoles neste sábado. Querem debater soluções para combater a emergência do “nacional-populismo e o marasmo” da União Europeia.

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Livre vai a Nápoles Enric Vives-Rubio

As listas transnacionais foram postas de lado pelo Parlamento Europeu há um mês, mas há um grupo de movimentos de vários países que quer criar uma candidatura conjunta, pan-europeia, que possa candidatar-se às eleições europeias da Primavera do próximo ano. Para isso, vão juntar-se este sábado na cidade italiana de Nápoles, numa cimeira convocada pelo movimento DiEM25 fundado pelo antigo ministro grego Yanis Varoufakis, que tem como anfitrião o presidente da cidade, Luigi de Magistris, e em que participam o português Livre, o francês Génération.s de Benoît Hamon, o dinamarquês Alternativet ou o polaco Razem. O Partido Verde Europeu e o Partido da Esquerda Europeia irão participar apenas como observadores.

Pedro Nunes Rodrigues, do Livre, explica ao PÚBLICO que a intenção do grupo é “criar um programa conjunto, transversal a vários partidos de diversos países, que tenham uma base programática comum, mas que possa ser adaptado às realidades de cada país”.

Os movimentos vão discutir a criação das listas transnacionais – embora não exista essa figura jurídica na legislação eleitoral europeia – e colocar o assunto nesse programa comum para que, quando forem eurodeputados, possam propô-las no Parlamento Europeu. Porque consideram que é um dos factores que contribuiriam para a “democratização” da União Europeia. O Livre pretende, por exemplo, apresentar e discutir propostas sobre o direito à água e a proibição da sua privatização na União Europeia, a abolição de estágios não remunerados, ou a eleição (e não a escolha pelos governos) do Conselho Europeu, descreveu Pedro Nunes Rodrigues.

Em termos práticos, apesar de quererem formar um movimento pan-europeu que concorra às eleições para o PE, os vários partidos terão de ir às urnas, em cada país, em listas nacionais, já que não são permitidas listas de âmbito europeu. Ou seja, seria como acontece actualmente, em que os eurodeputados eleitos em Portugal pelas listas do PSD se integram depois no grupo parlamentar do PPE (Partido Popular Europeu). No caso destes movimentos progressistas, a base programática seria já comum e acabariam integrados numa bancada parlamentar que corresponde a um real partido fora do Parlamento.

“As instituições europeias têm falhado em tornar as eleições para o Parlamento Europeu verdadeiramente europeias”, afirma, por seu lado, Rui Tavares. O ex-eurodeputado já não integra a direcção do Livre, mas irá representar o partido no encontro de Nápoles e lamenta o chumbo das listas transnacionais – por uns que estão bem (a direita) e outros porque temem perder o capital de queixa (à esquerda).

“É preciso que sejam os cidadãos a criar o diálogo europeu onde as instituições falharam. Vamos dinamizar uma espécie de assembleia constituinte cidadã para a Europa e discutir ideias sobre como democratizar a União Europeia”, conta, defendendo ser preciso combater o “nacional-populismo e o marasmo institucional” em que a Europa está a cair. Estes movimentos progressistas, que estão “entre uma esquerda que só se queixa e a outra esquerda que dá a mão à direita”, pretendem abrir um “novo caminho em que a esquerda seja uma força motriz de um projecto de uma Europa democrática, social e ambiental”, descreve Rui Tavares.