Três em cada quatro franceses pensam que Le Pen não tem perfil para Presidente

Todo o esforço de limpeza da imagem da líder da Frente Nacional deu em nada: Marine Le Pen desceu em todos os campos de opinião em comparação com o período pré-eleitoral do ano passado.

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Marine Le Pen Pascal Rossignol/REUTERS

Dias antes do congresso da Frente Nacional (nos dias 10 e 11 de Março, em Lille), onde Marine Le Pen vai propôr uma reforma política no partido e até um novo nome, uma sondagem divulgada em França não trouxe boas notícias à líder partidária de extrema-direita. Menos de um ano depois das eleições presidenciais – onde Le Pen conseguiu chegar à segunda volta contra Emmanuel Macron – três em cada quatro franceses pensam que ela não tem perfil para Presidente da República.

As consequências políticas para a Frente Nacional das últimas eleições foram pesadas. Isto levou a que Le Pen anunciasse uma reforma de alto abaixo do seu partido. Contudo, as perspectivas não melhoraram. Pelo contrário, e segundo a sondagem da Kantar-Sofres-Onepoint para o jornal Le Monde, pioraram muito.

Questionados se Marine daria uma boa chefe de Estado, 73% respondeu que não. Mais de metade disse que ela não é capaz de unir o seu próprio partido e que a Frente Nacional nunca chegaria ao poder.

No início da campanha para as presidenciais do ano passado, a maioria dos franceses tinha a opinião de que Le Pen seria capaz de tomar as decisões necessárias para o país (69%) e metade admitiu que a então candidata presidencial pela Frente Nacional compreendia os problemas da população gaulesa. Agora, 49% dos franceses confia na capacidade de tomada de decisão de Le Pen e menos de 40% reconhece que ela compreende os problemas de França.

Le Pen desceu em todas as questões colocadas na sondagem – que englobam a simpatia ou se inspira confiança - em comparação com o período pré-eleitoral do ano passado.

Apesar de ter tido mais sucesso do que o seu pai e histórico líder da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, Marine reconheceu que a retórica utilizada durante a campanha presidencial, principalmente em relação à imigração, possa ter desgastado a imagem do partido, que ficou intimamente ligada a acusações de racismo e homofobia.