Papa vai canonizar Óscar Romero, mártir da Igreja de El Salvador

Arcebispo e ícone da Igreja Católica na América Latina foi assassinado em 1980. A sua morte foi considerada um crime "por ódio da fé".

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Óscar Romero foi assassinado por um atirador de elite que estava ao serviço da junta militar REUTERS/Ulises Rodriguez

O arcebispo salvadorenho Óscar Romero, assassinado por uma junta militar de direita em 1980, será proclamado santo, anunciou o Vaticano nesta quarta-feira.

Durante uma reunião de cardeais organizada com o objectivo de dar a aprovação final a várias causas de santidade, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconhece um milagre atribuído ao antigo arcebispo salvadorenho. 

Deu ao mesmo tempo a aprovação final à canonização de Paulo VI, que foi Papa entre 1963 e 1978.

Óscar Romero foi morto a tiro a 24 de Março de 1980, quando celebrava a missa numa capela de um hospital no empobrecido Estado centro-americano de El Salvador. D. Romero, como era conhecido, levantou muitas vezes que a voz contra a pobreza e para denunciar a repressão do regime militar durante a guerra civil.

Em 2015, o Papa tinha já decretado que o arcebispo Óscar Romero morreu como um mártir, abrindo caminho para a sua beatificação. Mas durante os dois últimos papas, a canonicazação de Romero não avançou - a decisão estaria sempre demasiado contaminada pela tumultuosa política da Améria Latina. 

"O tardio reconhecimento do facto óbvio de que Romero foi um mártir é vergonhoso", comentou o padre James Martin, escritor e editor da revista Jesuit para a América, citado pela Reuters. Este é um "imenso passo em frente para a Igreja", afirmou Martin, no Twitter.