Torne-se perito

CTT entrega aos accionistas dobro dos lucros de 2017

Gestmin, que é a maior accionista dos Correios, encaixa sete milhões de euros. Empresa já negociou 220 saídas com trabalhadores.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

Daqui para a frente a política de remuneração dos accionistas dos CTT vai mudar, mas, este ano, a empresa ainda vai entregar aos accionistas mais do dobro dos lucros. O resultado líquido de 2017 caiu 56% para 27 milhões de euros, porém o bolo de 57 milhões de euros de dividendos (38 cêntimos por acção) para entregar aos accionistas está garantido. Os resultados transitados e as reservas distribuíveis “servem para isso”, frisou o presidente da empresa, Francisco Lacerda, nesta quinta-feira, acrescentando que “os CTT têm uma estrutura financeira sólida e não se estão a endividar para pagar dividendos”.

Mas as coisas vão mudar, como notou o gestor, porque, pelo menos enquanto durar o plano de reestruturação (anunciado em Dezembro) previsto para 2018 e 2019, a remuneração dos investidores passará a fazer-se em função dos resultados líquidos da empresa.  É por isso que se a tendência de queda dos resultados se mantiver (em 2016 o resultado líquido já tinha recuado cerca de 14%), dificilmente os accionistas voltarão a receber tão cedo cheques igualmente generosos da empresa liderada por Francisco Lacerda.

Essa não parece ser uma dor de cabeça para o presidente dos CTT, que rejeitou sentir quaisquer pressões por parte dos “donos” da empresa. “Sinto-me bem onde estou e com o apoio necessário dos accionistas”, afirmou Lacerda, notando que num conselho de administração onde a Gestmin – que é a maior accionista, com 12,43% do capital – tem assento, “obviamente que as posições do conselho dos CTT são também as da Gestmin”. A holding de Manuel Champalimaud vai receber em dividendos de 2017 cerca de sete milhões de euros.

No ano passado o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) dos CTT recuou 20,5%, para 81,1 milhões de euros, enquanto as receitas do grupo tiveram um aumento de 2,5%, pese a quebra do negócio de correio tradicional (as receitas caíram 1,1%, para 527,5 milhões de euros e a empresa sublinha que a tendência de queda contínua de tráfego que se verifica desde 2011 até registou “uma aceleração” em 2017, de 5,6%). Já o volume de negócios da área de expresso e encomendas melhorou 11,4%, para 134,6 milhões de euros.

Nos serviços financeiros verificou-se uma quebra de 12,7% nas receitas, que se ficaram pelos 61,8 milhões. Neste segmento, a queda deveu-se “sobretudo” ao facto de terem sido reconhecidos em 2016 ganhos de 3,2 milhões de euros relativos à parceria com a Altice, que entretanto terminou, e ao “decréscimo dos rendimentos dos serviços de pagamentos e de seguros e PPR’s, de 24 milhões e 1,5 milhões, respectivamente”.

No Banco Postal, os rendimentos aumentaram 691,8%, para 7,6 milhões de euros (que comparam com cerca de um milhão no exercício de 2016). De acordo com os resultados, a 4 de Janeiro realizou-se um aumento de capital do Banco Postal, em 6,4 milhões, para 131,4 milhões de euros, com a entrega da totalidade das acções da empresa de meios de pagamento Payshop ao banco.

Olhando para o conjunto das receitas, a empresa diz que o aumento foi influenciado “pela mais-valia e os juros associados à venda dos imóveis da Rua de S. José em Lisboa", por 16,3 milhões de euros.

Segundo Lacerda, a empresa, que pôs em marcha um plano de rescisões no final do ano passado, já chegou a acordo com 220 trabalhadores (mais do que os 200 previstos inicialmente) para saírem. No quarto trimestre já estavam contabilizadas 161 saídas, com custos de indemnização previstos de 11,9 milhões de euros.

São pessoas com “funções do tipo mais central” e representam apenas uma das medidas de redução de pessoal projectada pela gestão. Nas áreas operacionais, onde os CTT já anunciaram estar preparados para reduzir 800 empregos em três anos, os cortes ainda não começaram a ser feitos, nem têm, para já, data de arranque definido. Primeiro “é preciso fazer um trabalho aprofundado de desenho” daquilo que se pretende “e ver os investimentos necessários”, resumiu Lacerda.

O presidente dos CTT foi igualmente vago em relação ao processo de reestruturação da rede de balcões, explicando que esse é um elemento que a empresa vai avaliando “a cada momento”.

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