Cronologia das negociações com a Coreia do Norte

State television from the North Korean capital of Pyongyang has announced the death of Chairman Kim Jong Il, right. He was 69. In this file photo from 2000, President Kim Dae-jung of South Korea, left, and Chairman Kim Jong Il of North Korea attend a lunc
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O Presidente sul-coreano Roh Moo-hyun (esquerda) encontrou-se em Pyongyang com Kim Jong-il em 2007

Dezembro 1985: Adesão da Coreia do Norte ao Tratado de Não-Proliferação (TNP) nuclear, mas sem aceitar as salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atómica. Em 2003, Pyongyang abandonaria o tratado em definitivo, depois de ter expulsado uma missão da AIEA.

Janeiro 1992: Assinatura da declaração conjunta entre as duas Coreias sobre a Desnuclearização da Península Coreana em que ambos os países se comprometem a não “testar, fabricar, produzir, receber, possuir, armazenar, fornecer, ou usar armas nucleares”. Meses antes, os EUA tinham retirado todo o armamento nuclear que ainda estava estacionado na Coreia do Sul.

Janeiro 1994: CIA diz que a Coreia do Norte poderá ter começado a produzir armas nucleares.

Junho 1994: A Coreia do Norte admite “congelar” o desenvolvimento de armas nucleares depois de negociações lideradas pelo ex-Presidente dos EUA, Jimmy Carter.

Julho 1994: Morte do fundador da República Popular da Coreia Kim Il-sung, que é sucedido pelo filho Kim Jong-il.

Agosto-Outubro 1994: Quatro meses de negociações entre Washington e Pyongyang são concluídos com a assinatura, em Genebra, do chamado “Agreed Framework”. A Coreia do Norte aceita congelar o seu programa nuclear e manter-se no TNP. Em troca, os EUA concordam em fornecer petróleo à Coreia do Norte – que justificava o seu programa nuclear com as suas necessidades energéticas – e dão garantias de não usar armas nucleares contra o regime.

Abril 1996: Primeira ronda de negociações entre os EUA e a Coreia do Norte sobre o programa balístico norte-coreano. No mês seguinte, Washington aplica sanções à Coreia do Norte e ao Irão por causa do desenvolvimento de mísseis. A segunda ronda de negociações acontece em Junho do ano seguinte sem chegar a acordo.

Fevereiro 1998: O recém-eleito Presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, anuncia a intenção de melhorar as relações inter-coreanas através da cooperação económica. É o início da “política dos raios do sol”.

Agosto 1998: Coreia do Norte testa míssil com alcance de dois mil quilómetros. Em Outubro, a terceira ronda de negociações EUA-Coreia do Norte termina sem acordo, porque Pyongyang insiste no alívio de sanções imediato.

Maio 1999: Visita do ex-secretário da Defesa, William Perry, então principal responsável norte-americano pela Coreia do Norte, a Pyongyang, onde se encontra com alguns dos principais dirigentes militares e diplomáticos do regime.

Setembro 1999: Pyongyang aceita adoptar uma moratória sobre os testes de mísseis de longo alcance enquanto as negociações com os EUA se mantiverem. Washington concorda em levantar algumas sanções – mas só o faz no Verão seguinte.

Junho 2000: As duas Coreias fecham acordo que permite reuniões entre famílias divididas e o desenvolvimento de relações culturais e económicas. Os EUA anunciam o levantamento de algumas das sanções impostas contra o regime.

Julho 2000: Quinta ronda de conversações entre os EUA e a Coreia do Norte chega ao fim sem acordo sobre programa de mísseis. Dias depois, a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright encontra-se com o chefe da diplomacia norte-coreano, Paek Nam-sun, durante uma cimeira regional em Banguecoque. Este será o encontro de mais alto nível entre dirigentes dos dois países.

Outubro 2000: O número dois da hierarquia militar norte-coreana, Jo Myong-rok, visita Washington para tratar dos preparativos de uma visita de Albright a Pyongyang, que acontece dias depois, onde se encontra com Kim Jong-il. Fica em aberto a possibilidade de Bill Clinton visitar a Coreia do Norte, mas, no final do ano, a Casa Branca acaba por anunciar que o Presidente não irá viajar.

Janeiro 2001: George W. Bush toma posse nos EUA e, embora elogie os progressos feitos pela Administração anterior, questiona o cumprimento por Pyongyang de todos os acordos alcançados. A Coreia do Norte denuncia a abordagem “hostil” do novo Presidente, mas mantém a moratória sobre os testes balísticos.

Janeiro 2002: Poucos meses depois do atentado contra as Torres Gémeas em Nova Iorque, Bush inclui a Coreia do Norte no “eixo do mal”, ao lado do Irão e do Iraque, durante o discurso sobre o Estado da União.

Outubro 2002: O responsável do Departamento de Estado pelos Assuntos do Leste Asiático, James Kelly, visita Pyongyang e manifesta preocupações com os programas nuclear e balístico e com os direitos humanos no país. A imprensa estatal norte-coreana descreve as palavras de Kelly como “arrogantes”. Dias depois, Washington revela ter conhecimento de um programa clandestino norte-coreano de enriquecimento de urânio, que violaria os acordos em vigor.

Novembro 2002: O consórcio internacional de fornecimento de petróleo à Coreia do Norte suspende as entregas até que Pyongyang dê pormenores sobre o programa de enriquecimento de urânio. A AIEA também pede uma clarificação, rejeitada por Pyongyang.

Dezembro 2002: A Coreia do Norte diz que vai reactivar o funcionamento de um dos seus reactores nucleares, acusando os EUA de violarem os acordos assinados em 1994.

Janeiro 2003: Pyongyang anuncia oficialmente o abandono do Tratado de Não-Proliferação de armas nucleares.

Abril 2003: A Coreia do Norte admite, pela primeira vez, que possui armas nucleares, durante um encontro tripartido com os EUA e a China. É instituído o “Diálogo a Seis” entre as duas Coreias, os EUA, China, Rússia e Japão, com o objectivo de travar o programa nuclear norte-coreano. A primeira reunião, em Agosto, termina sem qualquer progresso.

Setembro 2005: É assinada uma declaração conjunta após uma ronda do Diálogo a Seis em que a Coreia do Norte se compromete a abandonar o desenvolvimento do seu programa nuclear com fins bélicos e a regressar ao TNP assim que possível.

Junho 2006: O consórcio internacional estabelecido em 1994 para a construção de dois reactores nucleares de água leve dá por terminado o projecto, acusando a Coreia do Norte de violar o acordo de 1994.

Julho 2006: A Coreia do Norte faz vários testes balísticos, incluindo um de longo alcance. O Conselho de Segurança da ONU condena os testes e pede o regresso do Diálogo a Seis.

Outubro 2006: Teste nuclear subterrâneo realizado pela Coreia do Norte.

Fevereiro 2007: Conclusão da quinta ronda do Diálogo a Seis, com um novo compromisso faseado em que a Coreia do Norte vai recebendo petróleo e ajuda humanitária a troco de períodos determinados em que suspende o programa nuclear.

Outubro 2007: O Presidente sul-coreano Roh Moo-hyun encontra-se em Pyongyang com Kim Jong-il – a última ocasião em que líderes das duas Coreias se reúnem pessoalmente.

Fevereiro 2008: Tomada de posse do conservador Lee Myung-bak como Presidente sul-coreano, que prometeu uma revisão da política de diálogo do seu antecessor.

Julho 2008: Nova ronda do Diálogo a Seis que determina os moldes em que será feita a verificação do arsenal e das fábricas de armamento nuclear norte-coreanas.

Outubro 2008: Washington anuncia a retirada da Coreia do Norte da lista de Estados apoiantes de terrorismo do Departamento de Estado.

Abril 2009: Coreia do Norte testa o foguete Unha-2 que disse ter servido para colocar em órbita um satélite. Porém, os EUA, a Coreia do Sul e o Japão acusam Pyongyang de estar, na verdade, a testar tecnologia balística, violando os acordos diplomáticos. O Conselho de Segurança condena o lançamento, levando a Coreia do Norte a romper com o Diálogo a Seis e todos os seus compromissos.

Maio 2009: Novo teste nuclear subterrâneo norte-coreano, levando o Conselho de Segurança da ONU a aprovar um pacote de sanções.

Dezembro 2009: Primeira reunião entre dirigentes da Administração de Barack Obama e responsáveis norte-coreanos.

Março 2010: Naufrágio do navio-patrulha sul-coreano Cheonan, perto da fronteira marítima entre as duas Coreias. Regresso das negociações fica dependente da resolução do incidente.

Julho 2010: Depois de trocas de acusações entre as duas Coreias, os EUA e a Coreia do Sul realizam exercícios militares em resposta ao afundamento do Cheonan.

Outubro 2011: Reunião entre responsáveis norte-coreanos e norte-americanos em Genebra com o objectivo de retomar o Diálogo a Seis.

Dezembro 2011: Kim Jong-il morre após 17 anos no poder, e é sucedido pelo filho Kim Jong-un.

Fevereiro 2012: Reunião entre responsáveis norte-americanos e norte-coreanos em Pequim, em que Pyongyang se compromete com a suspensão das actividades de enriquecimento de urânio numa das suas instalações.

Abril 2012: Tentativa falhada de lançamento de um satélite pela Coreia do Norte para assinalar o centenário do nascimento de Kim Il-sung.

Abril 2013: Coreia do Norte retoma actividades de enriquecimento de urânio.

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