Revoltas, revoluções e o medo do islamismo

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Manifestações no Egipto durante a Primavera Árabe MOHAMED ABD EL GHANY/REUTERS

Chamaram-lhe "Primavera Árabe" e foi uma espécie de sonho. Começou na Tunísia, onde a classe média estava preparada para responder aos protestos iniciados pelos mais pobres. Depois de 29 dias de revolta derrubarem uma ditadura de 33 anos, com Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita, árabes de Marrocos ao Iémen ousaram sair à rua.

Hosni Mubarak também caiu no Egipto, mas os militares roubaram a revolução aos jovens e aos islamistas (a Irmandade Muçulmana esteve um ano no poder depois de vencer eleições) e nunca houve tanta repressão como hoje. Na Síria e no Iémen a ousadia foi esmagada e não se parou mais de morrer.

O medo do islamismo mudou alianças e equilíbrios e ajudou a transformar o Golfo Pérsico num campo de batalha entre sauditas e iranianos. Alguns Estados fizeram reformas para conter descontentamentos. A Tunísia acabou por ser o único país a concluir a sua revolução. Talvez porque os seus islamistas, próximos da Irmandade, cederam quando foi necessário. Não é um país sem problemas nem uma democracia consolidada, é o que de bom saiu da vaga de protestos do início de 2011.