Di Maio, o camaleão

O jovem político respondeu com moderação e sobriedade à ferocidade de Grillo.

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Reuters/ALESSANDRO BIANCHI

Foi assente num discurso antieuropeu, antipartidos e antissistema que o Movimento 5 Estrelas (M5S) venceu as eleições italianas, mas o seu líder Luigi Di Maio é bastante mais consensual e moderado do que parece.

E aqui é inevitável não proceder à comparação entre o jovem político, de apenas 31 anos, e do fundador do M5S, o veterano Beppe Grillo, que no início do ano passado abandonou a acção política. Ao estilo feroz, à postura disruptiva e ao discurso populista que Grillo pregou durante os últimos anos, Di Maio respondeu com moderação, sobriedade e viabilidade.

Di Maio rejeitou, por exemplo, fazer um referendo à permanência de Itália na União Europeia – uma das principais bandeiras de Grillo –, e defendeu a via da negociação como primeira aposta. Postura essa que marcou toda a sua campanha eleitoral, crente de que a resposta para a tensão social na qual a Itália está mergulhada poderia ser apregoada para públicos mais vastos e através de uma mensagem menos inflamada e mais ponderada.

Esta capacidade de adaptação à realidade levou o El País a rotular o político nascido em Avellino como um autêntico “camaleão”. “Adapta-se facilmente aos humores da sociedade”, escreveu sobre ele aquele diário espanhol.

Nascido em Avellino, Luigi Di Maio é filho de um antigo membro do partido fascista Movimento Social Italiano. Juntou-se em 2007 ao movimento que viria a tornar-se dois anos depois no MS5, depois de uma conversa como o próprio Beppe Grillo. A sua ascensão no partido e na arena política italiana foi vertiginosa, tendo-se tornado no mais novo vice-presidente da Câmara dos Deputados, com apenas 26 anos.