Afinal, Alto do Pina, Santa Engrácia e Benfica vão marchar na Avenida da Liberdade

As três marchas tinham ficado de fora do concurso deste ano, mas a contestação dos marchantes e apoiantes levou a EGEAC a abrir uma excepção e a permitir a sua participação.

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Miguel Manso

As marchas do Alto do Pina, Santa Engrácia e Benfica também vão poder desfilar na Avenida da Liberdade, anunciou a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), indicando que este ano vão ser 23 os grupos a concurso.

"A Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC entenderam alargar a edição deste ano do concurso das Marchas Populares, passando de 20 a 23 marchas" participantes, divulgou a empresa em comunicado. Esta decisão vai permitir a "participação das marchas seleccionadas por sorteio ao abrigo das condições do concurso em vigor e, excepcionalmente, as marchas do Alto do Pina, Benfica e Santa Engrácia".

A EGEAC refere que "esta decisão surge na sequência das questões suscitadas pela aplicação do novo regulamento e dos contributos recebidos por parte de diversas colectividades, bem como da recomendação da Comissão Permanente de Cultura da Assembleia Municipal".

Na segunda-feira, esta comissão aprovou, por unanimidade, um relatório que recomenda, "a título excepcional", a participação a concurso da marcha do Alto do Pina nas Festas de Lisboa deste ano.

A recomendação, dirigida à EGEAC, visa "acautelar todas as expectativas geradas pela alteração do regulamento [do concurso das Marchas Populares de Lisboa] e pelas dúvidas na sua aplicação no tempo", avançou na ocasião a deputada Ana Mateus, do grupo municipal do PSD.

Aprovado por unanimidade, o relatório da Comissão Permanente de Cultura foi produzido na sequência de uma petição promovida pelo Ginásio do Alto do Pina e subscrita por 328 peticionários, a propor a participação da marcha do Alto do Pina no concurso de Marchas Populares de Lisboa 2018.

No dia 6 de Fevereiro, quando ouvida pelos eleitos municipais, a presidente do Conselho de Administração da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, admitiu a possibilidade de as 26 marchas existentes na cidade participarem nas Festas de Lisboa, alertando, porém, para as implicações que a medida poderá trazer.

Em causa está uma mudança no regulamento, que prevê que as três marchas que tenham pior classificação na edição anterior sejam submetidas a sorteio com as marchas novas que se candidatem, por forma a escolher quais participam na nova edição.

A contestação surgiu porque as regras anteriores apontavam que apenas as duas últimas classificadas teriam de passar por esse processo. Com as novas regras, uma das marchas que foi a sorteio e ficou de fora foi o Alto do Pina.

A EGEAC salienta que, "enquanto organizadora deste concurso há mais de 20 anos, preza o diálogo regular com as colectividades, que são o motor essencial desta grande iniciativa popular de Lisboa".

"É com esse espírito que foi tomada esta decisão excepcional, relembrando, porém, que se considera imprescindível que as regras do concurso sejam cumpridas, sob pena de um desvirtuar progressivo do mesmo", apontou a empresa, considerando que "no próximo ano (2019) o concurso retoma a sua configuração tradicional de 20 marchas, conforme expresso nas condições do concurso publicadas em Boletim Municipal".

A EGEAC lembra que com estas regras, "os lugares excepcionais (21.º, 22.º e 23.º) sejam eliminados, bem como as marchas que fiquem classificadas nestas posições nesta edição do concurso", e quanto "às marchas classificadas nos 18º, 19º e 20º aplica-se o previsto no artigo 21º das condições do concurso, que prevê a saída automática das três últimas marchas".