120 batimentos por minuto distinguido com prémio máximo do cinema francês

O filme de Robin Campillo, que documenta os primeiros anos da luta contra a sida, foi distinguido com o César de melhor filme nos prémios do cinema francês, entregues na noite de sexta-feira, em Paris.

Depois do triunfo em Cannes, o realizador Robin Campillo viu o seu filme premiado nos Césares
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Depois do triunfo em Cannes, o realizador Robin Campillo viu o seu filme premiado nos Césares LUSA/YOAN VALAT

Estreado em Portugal em Dezembro, 120 batimentos por minuto traça um retrato da associação Act Up e de uma geração que enfrentou os primeiros anos de epidemia da doença, em França, no início da década de 1990.

Com 13 nomeações para os Césares, depois de ter sido distinguido em Maio com o Grande Prémio, o Prémio da Crítica e o Prémio Queer no Festival de Cinema de Cannes, 120 batimentos por minuto conquistou seis Césares: melhor actor revelação, Nahuel Pérez Biscayart, melhor actor secundário, Antoine Reinartz, melhor argumento e melhor montagem, atribuídos a Robin Campillo, e melhor música, a Arnaud Rebotini.

O César de melhor realizador foi entregue a Albert Dupontel, por Até nos vermos lá em cima, adaptação de um romance de Pierre Lemaitre sobre uma amizade durante a primeira Guerra Mundial, que estreia em Portugal no próximo dia 22.

A actriz Jeanne Balibar venceu o César de melhor actriz pela interpretação em Barbara, filme de Mathieu Amalric sobre a cantautora francesa da década de 1960, e Swann Arlaud teve o César de melhor actor pelo desempenho em Petit paysant, de Hubert Charuel, história de um agricultor e da sua luta contra a epidemia que ameaça as vacas da sua pequena exploração agropecuária.

A actriz espanhola Penélope Cruz recebeu o César de Honra das mãos do realizador espanhol Pedro Almodóvar, um prémio de homenagem à sua carreira, que dedicou à família, em particular à mãe, presente na gala, em Paris. "Nem nos meus sonhos mais loucos teria imaginado estar em Paris a receber um César", disse a actriz madrilena, de 43 anos, que esteve na cerimónia acompanhada pelo seu companheiro, o actor espanhol Javier Bardem. Antes da cerimónia, Almodóvar afirmara que Penélope Cruz é uma das "mulheres mediterrânicas", como Sophia Loren, Jeanne Moreau, Marion Cotillard ou Juliette Binoche, que libertam magnetismo e autenticidade.

A organização dos prémios César do cinema francês pediu aos participantes que usassem uma fita branca, para se juntarem ao protesto contra o assédio sexual na indústria do entretenimento, e a atriz espanhola não foi exceção. "Nos Globos de Ouro foi feito, nos Goyas também e certamente assim será no domingo, nos Óscares, pois devemos lembrar tudo o que está a acontecer”, declarou a actriz no tapete vermelho. Jeanne Balibar, ao receber o prémio, enalteceu o trabalho das actrizes e assegurou que "o silêncio é igual à morte".

Os prémios do cinema francês recordaram a actriz Jeanne Moreau e o actor Jean Rochefort, assim como o músico Johnny Hallyday, que morreram no ano passado.