CT da Autoeuropa vai a votos após vitória nos aumentos salariais

Com a questão dos aumentos dos salários resolvida, Comissão de Trabalhadores prepara-se para o referendo sobre a proposta de destituição.

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Período de transição acaba em Agosto Miguel Manso

O pré-acordo salarial que a Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa negociou com a administração, e que contempla um aumento de 3,2% nos vencimentos, foi aceite por 73,2% dos que votaram (correspondente a 3303 funcionários).

De acordo com os dados do referendo, que terminou esta quinta-feira à noite, houve 1133 que votaram contra o acordo, a que somam outros 1497 que optaram pela abstenção e mais 79 de votos de brancos e nulos. Para a CT, que fala de uma “expressiva participação”, estes dados mostram “o quanto estão [os trabalhadores] empenhados em defender os seus interesses colectivos”.

Com esta vitória, a CT prepara-se agora para responder ao abaixo-assinado que exige a sua destituição. “Vamos reunir esta segunda-feira para analisar os casos que estão por resolver”, afirmou ao PÚBLICO o coordenador da CT, Fernando Gonçalves, e onde se destaca a questão do referendo que ditará o futuro da actual estrutura de representação dos trabalhadores.

Após o abaixo-assinado ter reunido as assinaturas suficientes (mais de cem), defendendo que houve “falta de hombridade da referida Comissão de Trabalhadores no processo negocial referente à questão que se prende com os novos horários e que opõe os trabalhadores à administração da Autoeuropa”, o próximo passo será a convocação de plenários para discutir a questão.

Depois, segue-se um referendo, por voto secreto, o qual tem de contar com 2/3 dos funcionários para ser válido (se votarem menos o acto torna-se nulo e a CT fica em funções).

Caso se mantenha em funções, a CT tem então de iniciar um novo e fulcral processo de negociações, ligado à questão da laboração aos sábados e ao esquema de trabalho a aplicar após Agosto (que pode envolver laboração contínua). Nessa data termina o período de transição aplicado pela administração de forma unilateral para garantir a produção do novo modelo, o T-Roc, após os trabalhadores terem rejeitado o pré-acordo negociado com a actual CT.

No imediato, e após a votação favorável desta quinta-feira, a CT vai assinar com a gestão o acordo final ligado ao caderno reivindicativo, onde se inclui o aumento salarial de 3,2% (a inflação prevista pelo Governo para este ano é de 1,4%), com um valor mínimo de 25 euros.

Além do aumento, há vários outros pontos, como “o pagamento de uma gratificação de cem ou duzentos euros conforme a antiguidade”, “condições especiais para grávidas com o pagamento de um subsídio no valor de 10% do salário”.