Spotify pede entrada directa na bolsa de Nova Iorque

Apesar de perdas acentuadas, a empresa prepara-se para o modelo de negócios de Wall Street, dispensando intermediários no processo.

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As acções do Spotify vão aparecer na bolsa de Nova Iorque com o símbolo “SPOT” LUSA/HAYOUNG JEON

A plataforma de streaming de música Spotify anunciou nesta quarta-feira a decisão de passar a ser uma bolsa cotada na bolsa de Nova Iorque. Depois de conquistar 159 milhões de utilizadores mensais em todo o mundo, 71 milhões dos quais a pagar para utilizar o serviço, a empresa prepara-se para o modelo de negócios de Wall Street. 

A empresa optou por uma entrada directa em bolsa: é um método pouco convencional de oferta pública inicial (IPO) que permite partilhar as acções que a empresa já tem, sem ter de contratar um banco ou corrector de Wall Street como intermediário. Ou seja, os actuais investidores e funcionários podem vender as acções que têm no mercado aberto, mas não são emitidas novas acções e não é preciso angariar mais capital.

Lançado em 2008, o Spotify é hoje a maior empresa de streaming musical no mundo, à frente de gigantes tecnológicas como a Apple e a Amazon. O ano passado, a empresa sueca foi avaliada em 19 mil milhões de dólares. No entanto, a IPO obrigou a empresa a revelar pela primeira vez dados sobre as suas receitas e parte dessa informação pode preocupar futuros investidores. De acordo com números apresentados nos documentos entregues ao regulador de mercados dos EUA (Securities and Exchange Commission, SEC), a receita do Spotify cresceu 39% no último ano: de 2,95 mil milhões de euros, em 2016, para 4,09 mil milhões de euros, em 2017. Porém, os custos de operação e as perdas também aumentaram.

Em 2017, a empresa registou cerca de 1230 milhões de euros de prejuízo. São mais 696 milhões de euros do que no ano anterior. A maior despesa é o preço das licenças que tem de pagar a editoras musicais e discográficas para manter o catálogo com perto de 35 mil milhões de temas. A Netflix (que hoje tem 111 milhões de utilizadores pagos) teve o mesmo problema, mas a plataforma de filmes e resolveu-o ao investir na produção de conteúdo original.

Nos documentos entregues à SEC, porém, o Spotify faz questão de acentuar os seus sucessos: por exemplo, a quantidade de utilizares pagos que cancela todos os meses diminuiu 2,2% desde 2015 (actualmente, apenas 5,5% dos clientes premium cancela por mês). “O factor de diferenciação entre o Spotify e todos os outros fornecedores de música é a nossa capacidade de prever o que os nossos utilizadores gostam”, lê-se nos documentos entregues ao regulador norte-americano. “O nosso sistema que prevê as preferências musicais de acordo com os gostos musicais dos utilizadores baseia-se em algoritmos patenteados e um sistema avançado de análise de dados.”

No entanto, a competição intensifica-se. Com menos sete anos do que o Spotify, o serviço de música da Apple já tem 36 milhões de subscritores.

Se a proposta da empresa for aceite, as acções do Spotify vão aparecer na bolsa de Nova Iorque com o símbolo “SPOT”. Para já, não há valor para as acções. Se isso de facto acontecer, será a primeira grande empresa a ter sucesso numa entrada directa em bolsa.