JM passa a ter comércio na Polónia limitado nos domingos

A partir de hoje, o mercado polaco, onde a JM foi buscar 11,07 mil milhões de vendas e 805 milhões de EBITDA em 2017, ficou com menos dias para os operadores de comércio. Biedronka fará “o que for necessário”

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LUSA/JOÃO RELVAS

Pedro Soares dos Santos, presidente e administrador-delegado da Jerónimo Martins SGPS, acredita que este seja um ano de “crescimento sustentável” para o grupo, disse esta quinta-feira em conferência de imprensa, estimando a administração que 700 a 750 milhões de euros sejam investidos na Polónia (cerca de metade), Portugal e Colômbia.

A previsão para 2018 é que será “desafiante” e que “não vai ser um ano fácil”, segundo explicou o presidente, mas, para já, “o contexto sócio-económico aparenta estar melhor”.

Mas há um impacto no horizonte que, por agora, ainda está por quantificar, num mercado onde a JM está desde 1995: a partir de hoje, 1 de Março, o comércio na Polónia — com excepção de algumas padarias, online, cafés e restaurantes — passa a encerrar dois domingos por mês. Em 2018, a contar de hoje, podem abrir no primeiro e último domingo de cada mês.

É o resultado de uma conjugação de vontades, entre o governo polaco do partido da Lei e Justiça (PiS), da federação sindical Solidarnósc e da igreja católica naquele país. A proibição, que será implementada em três anos, será alargada a três domingos por mês em 2019 e a todos em 2020 — com excepção de sete domingos por ano em épocas festivas, como o Natal.

Aos analistas, na “conference call” de hoje de manhã, Pedro Soares dos Santos garantiu aos analistas que “é difícil prever pormenorizadamente o impacto que a mudança na regulamentação poderá ter” no mercado polaco.Mas, salientou, a “Biedronka preparou-se para a mudança” ao fazer os "ajustamentos operacionais necessários para mitigar o inconveniente que os receios que a proibição aos domingos possam trazer”.

 “Acreditamos que a proximidade irá jogar a nosso favor e que a Biedronka está preparada para fazer o que for necessário para continuar a ganhar quota de mercado”, disse aos analistas. Horas depois, defendeu aos jornalistas que “o domingo não era o dia mais importante” para a operação da Biedronka na Polónia.  

A JM planeia abrir 70 novos “discount” Biedronka este ano (face às 2.823 unidades com que fechou 2017 com adição líquida de 101 unidades e 20 encerramentos). Abriu ainda o 16º centro de distribuição naquele país, onde emprega 60 mil dos 104 trabalhadores com que fechou o ano passado.

O grupo canalizou para a Polónia, em 2017, 49% dos 724 milhões de euros que investiu em todas as geografias onde opera. E, em resultado também dos “três mil milhões de euros” que investiu naquele mercado nos últimos 10 anos, registou vendas de 11.075 milhões na Polónia (o que lhe dá um peso de 68% do total vendido pela JM em 2017) e 805 milhões de euros de EBITDA – o que perfaz 87% do consolidado pelo grupo no mesmo ano.

Hoje, as acções da JM recuaram 9,7% na praça de Lisboa, fechando nos 15,4 euros.