Presidente afegão oferece reconhecimento político aos taliban

Ashraf Ghani pede em troca que o grupo reconheça o Governo do Afeganistão e que respeite o Estado de Direito.

Ashraf Ghani, Presidente do Afeganistão, durante uma conferência em Cabul que discute a criação de um processo de paz
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Ashraf Ghani, Presidente do Afeganistão, durante uma conferência em Cabul que discute a criação de um processo de paz Reuters/OMAR SOBHANI

O Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, ofereceu nesta quarta-feira aos taliban o reconhecimento como grupo político legítimo para abrir conversações de paz.

As declarações de Ghani foram proferidas na abertura de uma conferência que juntou responsáveis de 25 países que estão envolvidos no chamado Processo de Cabul, que pretende abrir uma via de diálogo para terminar com a guerra que dura há 16 anos no Afeganistão.

O Presidente afegão propôs um cessar-fogo e a libertação de prisioneiros numa estratégia que prevê ainda uma revisão constitucional e a realização de eleições que envolverão os taliban como grupo político, dá conta a Reuters.

Esta oferta é mais um sinal enviado pelo Governo de Cabul, que é apoiado pelos Estados Unidos, de que está disposto a entrar em diálogo com os militantes taliban. Porém, apesar de já ter demonstrado essa disposição para as negociações, nunca Ghani havia feito propostas tão concretas e tão ambiciosas aos taliban.

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Ataque dos taliban em Cabul, a 27 de Janeiro, com uma ambulância armadilhada HEDAYATULLAH AM/EPA

“Espera-se que os taliban contribuam para o processo de paz, cujo objectivo é atrair os taliban, como organização, para conversações de paz”, disse o chefe de Estado afegão.

Os taliban já demonstraram anteriormente abertura para o início de conversações mas apenas com Washington. No entanto, desde o início da guerra em 2001, recusaram-se sempre a dialogar com o Governo afegão.

É, por isso, incerta a resposta dos taliban à proposta de Ghani. No mês passado, o grupo realizou dois ataques em Cabul que vitimaram mais de 100 pessoas. Durante o ano de 2017, vários ataques, por vezes contra alvos com ocidentais, semearam o terror na capital afegã.

“Os taliban mostram consciência das mudanças contextuais e parecem estar envolvidos num debate sobre as implicações de actos de violência para o seu futuro”, afirmou Ghani.

Além disso, o Presidente afegão voltou a apelar ao diálogo com aquele que considera ser o principal apoiante dos taliban, o Paquistão – isto apesar de Islamabad ter já negado qualquer apoio ao grupo.

Em troca, Ghani pede que os taliban reconheçam o Governo do Afeganistão e que respeitem o Estado de Direito.