Directores do hospital “injustiçados” demitem-se por falta de meios

A falta de camas leva chefia a pressionar médicos a “dar alta” aos doentes de forma precoce. O conselho de Administração nega pressões para incentivar más práticas clínicas.

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VASCO CELIO/STILLS

A sobrelotação do hospital de Faro, agravada pela falta de pessoal, está a colocar em causa o funcionamento da unidade do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHA). Os três directores dos Serviços de Medicina colocaram o lugar à disposição no princípio da semana, e ontem os colegas de outros departamentos subscreveram um documento de “solidariedade” para com esta tomada de posição.

A falta de meios já tinha sido denunciada pelo Sindicado dos Enfermeiros, queixando-se nos atrasos na abertura de concursos para a colocação de pessoal, não apenas na área da enfermagem. No passado  dia 22 de Fevereiro, numa reunião ocorrida entre o Conselho de Administração, direcção do Departamento de Medicina e os três directores de Serviços de Medicina Interna, de novo, surgiram os problemas relacionados com a falta de condições de trabalho. Agora foi o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, que veio denunciar, em declarações à Lusa,  a sobrelotação e pressão que que os médicos dêem altas precoces, para minimizar os efeitos da falta de camas. 

Os directores de serviço -  depois da reunião ocorrida faz hoje oito dias com o Conselho de Administração e a direcção do Departamento de Medicina - entenderam as palavras das chefias, como  uma “injustiça” ao esforço que desempenham para segurar uma unidade de saúde em ruptura quase permanente. “É uma atitude irresponsável”, criticou Roque da Cunha, apelando o Ministério da Saúde “invista no Hospital de Faro, invista nos serviços e os dote de recursos humanos necessários”

O Conselho de Administração, por seu lado, ontem, divulgou  um nota a esclarecer que “em nenhum momento” da reunião ocorrida há oito dias, “foi solicitado que aos senhores directores que adoptassem qualquer medida que colocassem em causa as boas práticas clínicas”. A afluência às urgências continua a aumentar, falta espaço, e o projecto para a construção do novo  Hospital Central do Algarve deixou de ser prioridade na actual legislatura.