Desenhadores urbanos de todo o mundo põem o Porto nos seus cadernos

Encontro dos Urban Sketchers será de 18 a 21 de Julho, na Alfândega. As vagas foram preenchidas em hora e meia, deixando muitos em lista de espera.

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A ponte Luís I vista através do olhar de desenhador urbano Pedro Alves

O Simpósio Internacional do grupo Urban Sketchers voltará ao nosso país. Depois de Lisboa ter acolhido o encontro em 2011 — a 2ª edição do evento —, chegou a vez de o Porto ver os seus cantos e recantos retratados nos cadernos dos participantes.

Os desenhadores urbanos são conhecidos por ficarem horas no mesmo local, a absorverem os detalhes que escapam ao olhar desatento de quem por lá passa diariamente. Registam o seu trabalho no diário gráfico — é assim que se chama o caderno onde figuram os seus esboços.

“A candidatura portuguesa foi a mais forte”, diz ao PÚBLICO Nelson Paciência, presidente do grupo Urban Sketchers Portugal (USkP). O facto de o Porto ser percepcionado como uma “cidade atractiva”, aliado ao facto de o grupo de desenhadores urbanos português ser “um dos mais organizados do mundo”, acrediita, trouxe a nona edição do evento — que no ano passado teve lugar em Chicago, nos Estados Unidos— a território nacional.

Nelson Paciência revela-se surpreendido pela procura que o evento suscitou. “As 600 vagas esgotaram em hora e meia”, garante, revelando que está a ser pensado um alargamento do simpósio de modo a acomodar algumas das largas dezenas de pessoas que se encontram em lista de espera. Contam-se já duas dezenas de nacionalidades nos participantes inscritos. Nelson revela que, por ordem decrescente, os Estados Unidos, a Alemanha e a Inglaterra serão os três países mais representados no evento.

O simpósio é aberto a todos, independentemente da experiência e perícia. Amadores e profissionais juntam-se e partilham conhecimentos, aperfeiçoando técnicas. “O grande objectivo deste evento é chamar pessoas que nunca desenharam a juntar-se a nós”, diz Nelson Paciência. Os desenhos podem retratar obras arquitectónicas ou focar-se no lado humanista da cidade, consoante as preferências de cada desenhador.

"A maior e melhor edição até hoje" 

O Simpósio Internacional de Desenhadores Urbanos é organizado pelos USkP e pelos USkP Norte.

Nelson Paciência não esconde a sua ambição: a expectativa é que a nona edição seja a “maior e a melhor até hoje”.  

As inscrições — caso abram mais vagas — podem ser feitas online, existindo três níveis de acesso aos eventos educacionais. O passe mais acessível custa, aproximadamente, 120 euros e não permite acesso a qualquer acção de formação. O intermédio custa 280 euros e permite acesso a dois workshops e o passe mais abrangente tem o custo de 377 euros, assegurando a participação do participante em quatro workshops.

Cada workshop terá a duração de três horas e serão dirigidos por 36 instrutores — especialistas em várias áreas do desenho urbano —, três dos quais são portugueses. No total, ocorrerão mais de uma centena de acções formativas.

Existem também actividades grátis que não requerem qualquer inscrição. Os sketch walks (Passeios de Desenho), por exemplo, serão abertos ao público. Estas caminhadas levarão os participantes numa viagem pelas ruas do Porto, para que possam desenhar os pontos de interesse, consoante os gostos de cada um.

Parar e desenhar

Pedro Alves é um dos desenhadores urbanos que abraça diariamente a sua arte. “Sou capaz de parar na rua, tirar o caderno e começar a desenhar “, diz o torriense de 36 anos. Pedro Alves é um dos coordenadores dos USkP Oeste — outros dos subgrupos que fazem parte do grupo geral português. Este desenhador ainda se lembra de, em 2011, ter visto na capital dezenas de pessoas de caderno na mão a desenhar. Naquela altura, ainda não tinha consciência da existência do simpósio internacional que reunia pessoas que partilhavam o gosto pelo mesmo hobby que ele já tinha há vários anos. “Parei e sentei-me na rua a desenhar com eles”, relembra.

Juntou-se ao grupo em 2014, “por ter achado piada existir um grupo que desenhasse em conjunto”, conta. Para Pedro Alves, “a importância que Portugal” tem no universo do desenho urbano é clara: “A par dos EUA, somos o único país a receber novamente o evento”.

O esboço da ponte Luís I é da autoria do desenhador. “Foi um desenho rápido. Demorou cerca de 40 minutos”, afirma Pedro Alves que, como muitos dos membros do grupo partilha os seus trabalhos blogue oficial dos USkP.

Texto editado por Ana Fernandes