Mourinho Félix admite que Estado terá de emprestar mais dinheiro ao Novo Banco

Secretário de Estado diz que se Fundo de Resolução não tiver o dinheiro suficiente para fazer face às perdas do Novo Banco, o Estado terá de emprestar, mas que não terá "impacto adicional" na dívida.

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Mourinho Félix é o número do de Centeno Miguel Manso

O Governo ainda não tem conhecimento das contas finais de 2017 do Novo Banco, mas acredita que o banco poderá registar prejuízos e como consequência precisar de reforço de capital. Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o secretário de Estado adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, admite a possibilidade de o Estado vir a ser chamado a entrar com mais dinheiro no Fundo de Resolução para que este entre com o capital no Novo Banco.

"Se [o Fundo de Resolução] não tiver os meios financeiros, recorrendo a todos os meios que tem disponíveis, então poderá, ao abrigo do acordo-quadro, pedir um financiamento ao tesouro", disse na entrevista, lembrando que o Fundo, sendo uma entidade pública, vive não só do financiamento público como também das contribuições anuais dos bancos portugueses.

Mourinho Félix, número dois da equipa de Mário Centeno nas Finanças e que poderá agora assumir um papel mais preponderante com a ida do ministro para o Eurogrupo, admite que "tudo indica" que o Novo Banco "terá um prejuízo". A dimensão dessas perdas é que ainda não são do conhecimento do Governo, contudo, Mourinho Félix acaba por dizer que acredita que quando saírem os resultados finais de 2017 não haverá problemas adicionais ao previsto. 

O acordo para a venda da instituição que resultou da separação de activos do antigo Banco Espírito Santo prevê uma injecção de capital pelo Fundo de Resolução de até 850 milhões de euros por ano. Perante esse cenário, o governante acredita que o financiamento previsto é suficiente e que uma intervenção do Estado no Fundo de Resolução só viria a ter impacto na dívida pública caso o tesouro precisasse de recorrer ao mercado, o que, acredita, não será necessário. "Daquilo que temos no plano de financiamento, consideramos que isso é acomodável e portanto não deverá haver nenhum impacto adicional" na dívida pública, anteviu o governante.