Crónica de jogo

Jonas e Rafa retiraram o Benfica do fundo do poço

Os “encarnados” estiveram a perder em Paços de Ferreira até ao minuto 72, mas dois golos do “10” benfiquista mantêm as “águias” na luta pelo título. Rafa, um dos melhores em campo, fez o 3-1 final

Jonas marcou os dois golos do Benfica
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Jonas marcou os dois golos do Benfica LUSA/MANUEL FERNANDO ARAUJO

O Paços de Ferreira ainda colocou o “penta” do Benfica durante 72 minutos numa prateleira, mas, mais uma vez, Jonas foi a bóia de salvação de Rui Vitória. Num jogo com duas partes distintas, os pacenses colocaram-se cedo em vantagem e foram competentes nos primeiros 45 minutos, mas na segunda metade só deu Benfica. Quando o relógio aproximava-se perigosamente para as “águias” do minuto 90, Jonas, com dois golos, retirou o Benfica do fundo do poço.  E, já em período de descontos, Rafa viu premiada uma grande exibição com o golo que fechou as contas numa vitória benfiquista, por 3-1.

Apesar do excelente mês de Fevereiro — três vitórias com 12 golos marcados e dois sofridos —, o Benfica entrou em campo numa posição mais delicada do que na jornada anterior. Com a reviravolta no resultado do FC Porto no Estoril, as “águias” viram a distância para o primeiro lugar aumentar e a margem de erro de Rui Vitória até ao final da época tornou-se quase nula. Se as contas dos “encarnados” na luta pelo “penta” estavam mais complicadas, a fórmula para adivinhar o “onze” de Vitória manteve-se simples. Sem provas europeias para desgastar, o treinador do Benfica decalcou a equipa inicial das partidas anteriores, voltando a entregar a Zivkovic o papel de abre-latas. Desta vez, porém, foi Rafa quem desequilibrou.

Do outro lado, os “castores”, pressionados por três derrotas consecutivas, mostraram durante 45 minutos ter a previsibilidade benfiquista bem estudada. Apesar de ter baixas importantes — Góis e Baixinho —, João Henriques estruturou a equipa em 4x2x3x1, com dois “reforços de Inverno” a terem um papel preponderante no meio campo: Assis a destruir e Rúben Micael a construir.

O jogo começou com um bom corte de Ricardo a remate de Jonas, mas uma displicência de Grimaldo colocou o Benfica mais pressionado: aos 9’, o espanhol perdeu a bola para Xavier, o “50” do Paços foi à linha e centrou atrasado para Luiz Phellype que rematou para o fundo da baliza de Varela. Com muita bola, mas pouco discernimento, o Benfica não reagia e pouco depois da meia hora Rúben Micael fez tudo bem, mas Phellype não conseguiu bisar. Só a partir daí, se viu um Benfica assertivo: nos últimos cinco minutos da primeira parte, Jonas, Rafa e André Almeida estiveram perto do empate.

O bom momento benfiquista foi o prenúncio do que seriam os últimos 45 minutos. Logo a abrir, Rafa mostrou que estava em noite de inspiração, trocou as voltas a Quiñones, e Jonas quase marcou. Encostado às cordas, o Paços de Ferreira abdicou de atacar e Vitória arriscou: Jiménez substituiu Zivkovic aos 59’. Com dois benfiquistas sempre na área e os centrais pacenses em quebra física, o empate estava iminente e chegou pelo inevitável Jonas: Rafa, mais uma vez, fez gato-sapato de um adversário na direita, cruzou atrasado para Jiménez que falhou o remate, e Jonas agradeceu para marcar.

Obrigado a vencer, o Benfica não baixou a intensidade e no assalto final à baliza adversária, Vitória lançou o último trunfo: Grimaldo por Seferovic. E com três pontas de lanças, as “águias” fizeram o xeque-mate. Aos 88’, Seferovic fez a assistência para o 27.º golo de Jonas no campeonato e, meia-dúzia de minutos depois, Rafa voltou a acelarar na direita e viu a sua excelente exibição premiada com o 3-1.