kulinetto/ Pixabay
Foto
kulinetto/ Pixabay

Cancele o café, afinal quero uma bebida à base de bolotas

Investigadores da Universidade do Porto estão a desenvolver um produto à base de bolotas que pode ser um bom substituto do café tradicional

É "uma das bebidas mais apreciadas e consumidas em todo o mundonvestigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) desenvolveram um produto para substituir o café. A bebida é à base de bolotas e parece ganhar à cafeína quando o assunto é saúde. 

Quando consumido em doses elevadas, disse à Lusa Diana Pinto, investigadora da FFUP e uma das responsáveis pelo projecto, o café pode originar ou aumentar sintomas como taquicardia, palpitações, insónias, ansiedade, tremores e dores de cabeça. Efeitos indesejáveis que podem também acontecer em indivíduos mais sensíveis à cafeína — mesmo que não consumam elevadas quantidades de café. "Certos consumidores com distúrbios gástricos, anemia por deficiência de ferro, hipertensos ou em situações de stress podem apresentar sensibilidade aumentada ao café", referiu.

Para ultrapassar esta questão, acreditam os investigadores, é necessário procurar alternativas para o desenvolvimento sustentável de substitutos do café, onde se incluem produtos alimentares sem valor comercial. Neste projecto, a equipa usou as sementes de Quercus cerris, conhecidas por bolotas e consideradas um recurso com baixo impacto na alimentação humana, para desenvolver uma bebida que pode ser um substituto do café tradicional.

Utilizando as sementes, a equipa criou um pó, com um sabor menos intenso do que o do café, que tem que ser disperso em água e filtrado antes de consumido, à semelhança do que acontece com o café em pó ou com os seus substitutos. De acordo com Diana Pinto, estas sementes são ricas em compostos antioxidantes, como polifenóis e vitamina E, e têm uma elevada captação de espécies reactivas de oxigénio e de azoto. Além disso, não apresentam toxicidade para as células intestinais.

Os próximos passos do projecto passam pela identificação e quantificação dos compostos bioativos presentes na constituição da bebida desenvolvida e pela análise sensorial do produto. Participam no projecto os investigadores da FFUP Santiago Diaz Franco, Anabela Costa, Sónia Soares, Francisca Rodrigues e Maria Beatriz Oliveira, também membros do REQUIMTE, LAQV/Departamento de Ciências Químicas, e Snezana Cupara, Marijana Koskovac e Ksenija Kojicic, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Kragujevac (Sérvia).

O consumo de cafeína tem originado vários estudos científicos. E a verdade é que não há conclusões claras em relação aos efeitos — e até à quantidade ideal a beber. Há quem diga que a cafeína pode melhorar a memória, atrasar o desenvolvimento da doença de Machado-Joseph (em ratinhos), proteger contra a doença de Parkinson, até combater e tratar a depressão. Para quem não gosta de café mas precisa de cafeína para despertar, há alternativas. Como esta tira, por exemplo, que se dissolve na boca e liberta cafeína.