CDS e a aproximação PSD-PS: “Sabemos onde estamos”

Rui Rio reúne-se com Assunção Cristas a 1 de Março. Os coordenadores do PSD para as conversações com o PS vão dialogar directamente com os ministros

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Cristas e Rio juntos a 1 de Março LUSA/MÁRIO CRUZ

Depois de ter sabido que o novo líder do PSD conversou, durante duas horas e meia, com o primeiro-ministro em São Bento, o CDS desvalorizou esta aproximação e reafirmou que seguirá o seu caminho para tentar construir a verdadeira alternativa de maioria de centro-direita. A imagem de uma colagem do PSD ao PS – ainda que sob o chapéu das reformas estruturais – é vista pelos democratas-cristãos como uma vantagem eleitoral para Assunção Cristas. Há até quem já veja aqui uma oportunidade para pedir o voto alternativo no CDS.

Sem valorizar ou hostilizar, o CDS quer dar um sinal de que mantém a sua estratégia e os seus objectivos reafirmados pela líder: conquistar uma maioria parlamentar de centro-direita de 116 deputados “contra as esquerdas unidas”.

Esta aproximação entre os partidos do "centrão" – uma “nova fase”, como disse Rui Rio – não fez soar os alarmes no CDS. “Temos presentes as nossas prioridades, sabemos onde estamos. O resto é protocolo”, afirmou ao PÚBLICO Nuno Melo, vice-presidente do partido. Questionado sobre se o CDS será o parceiro natural do PSD, o dirigente lembra que os dois partidos já o são no presente em “muitas autarquias” lideradas pelos sociais-democratas e no Parlamento Europeu, onde fazem parte da mesma família, o PPE.

Na linha oficial, a questão da aproximação PSD-PS mantém o CDS no mesmo caminho que percorreu desde 2015. “Nós faremos a nossa parte para os conquistar [os 116 deputados] e o PSD certamente que tem a sua estratégia”, afirmou a líder do CDS, citada pela Lusa, à entrada de uma reunião de líderes da União Democrática Internacional, em Madrid, numa declaração que é reforçada por Nuno Melo. Outros dirigentes centristas contactados pelo PÚBLICO consideram vantajosa a imagem de que o PSD se está a encostar à ala mais à direita do PS, abrindo espaço para Assunção Cristas. O apelo ao voto pode ser mesmo esse: quem não gostar da solução Rio-Costa e for avesso à esquerda tem no CDS uma alternativa.

Para já, a cautela domina as declarações públicas, até porque “ainda não se percebeu ao que vem Rui Rio”. O antigo autarca do Porto, que governou a câmara em coligação com o CDS, já tem reunião marcada com a líder do CDS-PP – a 1 de Março – no âmbito do diálogo com os partidos para procurar convergências em torno de reformas estruturais para o país.

A forma como esse diálogo vai decorrer, e com que partidos, é ainda uma incógnita. O certo é que Álvaro Amaro e Castro Almeida, os dois coordenadores indicados pelo PSD para as pastas consideradas prioritárias – a descentralização e o próximo quadro de fundos comunitários –, irão tratar dos temas directamente com os ministros das pastas (Eduardo Cabrita e Pedro Marques). Mas ainda não se sabe como serão envolvidos o CDS, nem o PCP e o BE, que o primeiro-ministro faz questão de não excluir deste processo.

Os centristas até admitem sentarem-se à mesa das conversações, mas reconhecem como difícil um entendimento tão alargado. No caso da descentralização, por exemplo, o CDS é muito crítico da proposta de Governo que está na Assembleia da República e aponta o dedo ao facto de faltarem as restantes propostas, incluindo a das Finanças Locais, para se poder analisar o pacote como um todo.

O clima de diálogo entre o PS e o PSD reflectiu-se esta quarta-feira, no Parlamento, na primeira intervenção em plenário após o congresso que coube a Feliciano Barreiras Duarte. O novo secretário-geral do PSD e a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, trocaram saudações por esta nova fase entre os dois partidos, enquanto a esquerda vincou as medidas difíceis como os cortes de salários e de pensões tomadas pelo anterior Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Foi o CDS, pela voz de Nuno Magalhães, que puxou o PSD para o objectivo de criar uma alterativa para 2019 ao perguntar se Barreiras Duarte concordava com a necessidade de obter uma maioria de 116 deputados. O secretário-geral respondeu positivamente: “Pode contar com o PSD. É nesse sentido que trabalharemos em 2018 e 2019.”

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