PSD-Porto quer reconquistar a câmara que era de Rio

A três anos das autárquicas, os sociais-democratas unem-se na construção de um projecto político para a cidade

PSD governou a Câmara do Porto entre 2001 e 2013
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PSD governou a Câmara do Porto entre 2001 e 2013 Paulo Pimenta

Com Rui Rio eleito para a presidência dos sociais-democratas, o PSD-Porto vira agora a agulha para as eleições autárquicas de 2021, tentando construir com tempo uma alternativa política à actual maioria independente que governa a cidade. Caso Rui Moreira — eleito com maioria absoluta nas últimas autárquicas — não esteja disponível para um terceiro mandato à frente da Câmara do Porto, o caminho dos sociais-democratas, que ambicionam regressar à liderança do município, que já teve à frente Rui Rio durante 12 anos, ficará mais fácil.

O presidente da concelhia do Porto e também líder do PSD na bancada na Assembleia Municipal do Porto (AMP), Alberto Machado, está apostado em trabalhar na construção de um projecto político sério para o Porto, fazendo desta forma regressar ao partido parte do eleitorado que fugiu para o independente Rui Moreira.

Apoiante de Rui Rio desde sempre, Alberto Machado é o rosto de uma vasta equipa que está a trabalhar num projecto estratégico para a cidade com vista às próximas autárquicas. O social-democrata é também presidente da Junta de Paranhos (a maior do Porto) e integra a distrital.

Em declarações ao PÚBLICO, o deputado municipal congratula-se com a estratégia da nova liderança de fazer regressar ao partido a social-democracia e diz que esse é o caminho. “Esta lógica nacional que o PSD tentou agora com o regresso à social-democracia do tempo de Sá Carneiro tem um pouco a ver com aquilo que nós estamos a tentar fazer no Porto”, afirma Alberto Machado, referindo que o “PSD sempre foi um partido do poder local, um partido da proximidade, que estava de certa forma envolvido com a sociedade civil, com as comunidades, com os movimentos associativos”.

“O PSD é o partido do povo e é um pouco isso que queremos para o Porto. No fundo, o que queremos é regressar a essas origens de proximidade, colocando a proximidade dos cidadãos em primeiro lugar”, partilha, revelando que o partido, encerrado o capítulo da organização interna, vai iniciar uma nova fase que passa pela organização de várias acções.

Acusando o actual executivo do Porto de ser “incapaz de apresentar políticas municipais para responder aos problemas que preocupam os portuenses”, o PSD quer marcar a agenda e prepara-se para fazer um grande debate sobre o alojamento local/perda de população, para o qual vai convidar um conjunto de especialistas. “Vamos convidar pessoas de referência a nível do sector e ouvi-las sobre o que é que cada uma delas pensa sobre as vantagens/desvantagens e os desafios/oportunidades do alojamento local”, afirma o dirigente social-democrata.

Confrontado com o facto de as eleições autárquicas serem só daqui a três anos, o deputado municipal responde que o partido não pode cometer os “mesmos erros” que cometeu no passado. “Umas eleições autárquicas não se preparam em nove meses e um ano como fez o PSD em relação ao Porto. Umas eleições autárquicas preparam-se com três anos de antecedência e é isso que estamos a fazer”.

“Vamos trabalhar desde já para ganharmos as eleições autárquicas em 2021”, reafirma o presidente da concelhia do PSD-Porto, concluindo que o seu grande objectivo “é manter o partido unido e coeso”, quer na vereação, quer na assembleia municipal e nas juntas de freguesia. Alberto Machado não quer ter na vereação, como aconteceu nos últimos quatro anos, vereadores eleitos pelo partido que “muitas vezes” desrespeitaram a disciplina partidária para votar ao lado de Rui Moreira.