Sindicato desiste de manifestações: “Não resultam”

Sinapol ameaça assustar turistas em relação à segurança pública em Portugal caso não veja satisfeitas reivindicações.

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Protesto do Sinapol em 2014 no aeroporto de Lisboa, com distribuição de folhetos aos turistas

O Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) desistiu de fazer manifestações, por entender que não dão resultado.

A exigir progressões salariais que diz já deverem ter há muito acontecido, a estrutura sindical ameaça voltar a uma forma de protesto pela qual já enveredou em 2014: a distribuição aos turistas de folhetos a questionar as condições de segurança de um país tido como seguro. Aeroportos, gares marítimas e estações de comboios são alguns dos locais estratégicos onde poderão vir a fazê-lo, caso não saiam satisfeitos de uma reunião com o ministro da Administração Interna agendada para o próximo dia 7 de Março.

“É triste dizer isto, mas as manifestações não dão resultado”, declara o presidente do Sinapol, Armando Ferreira, recordando o último protesto deste género em que participou, em Outubro passado. Já na altura as progressões salariais faziam parte do caderno reivindicativo. Mas foi depois de um encontro com o director nacional da PSP já este ano que Armando Ferreira ficou com dúvidas que pudessem sequer vir a acontecer em breve, como esperava: “Disse-nos que o Ministério das Finanças não lhe indicou em que termos podiam ser feitas as progressões”.

Progressões congeladas durante 12 anos

Para o presidente do Sinapol, trata-se de uma situação que só tem paralelo com a dos professores, “que progridem em função do tempo de serviço e não de uma avaliação”. E que resulta, no caso da PSP, em agentes a reformarem-se, quando chegam à idade de pré-aposentação, com ordenados muito inferiores ao que deviam auferir, por terem visto as progressões congeladas durante 12 anos, entre 2005 e 2018. “Como progrediam de três em três anos, estamos a falar de uma diferença de menos quatro índices do que o devido”, contabiliza.

O Sinapol não se juntou ao grupo de sindicatos e associações congéneres da PSP, da GNR e do sector militar que ontem deram ao Governo um prazo até ao final do mês para resolver este tipo de questões. “Somos um sindicato da PSP e não de outras forças policiais. Não contem connosco para andar a lutar por outros que estão melhor que nós”, diz um comunicado desta organização sindical.