Coreia do Norte desmarcou reunião com Mike Pence em cima da hora

“Lamentamos que não tenham aproveitado a oportunidade. Não vamos pedir desculpa pelos valores americanos", escreveu a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano no Twitter, confirmando que havia planos para um encontro em Pyeongchang.

Foto
Mike Pence, vice-presidente norte-americano, visitou a Ásia durante cinco dias Reuters/Leah Millis

O Departamento de Estado norte-americano revelou esta terça-feira que a Coreia do Norte desmarcou uma reunião secreta com Mike Pence, vice-presidente dos EUA que se deslocou à Coreia do Sul para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno. A reunião tinha sido marcada para 10 de Fevereiro e foi desmarcada apenas duas horas de antecedência.

Dias antes de chegar à Coreia do Sul, Mike Pence avisou que os EUA se preparam para aplicar “o mais duro e agressivo pacote de sanções económicas de sempre à Coreia do Norte”, não aparentando ter intenções de atenuar a sua mensagem ao longo da reunião que estava marcada desde dia 8 de Fevereiro. A acontecer, teria sido um marco histórico nas relações diplomáticas dos dois países.

“A Coreia do Norte evitou uma reunião com esperança de que o vice-presidente suavizasse a sua mensagem, o que lhes teria dado um palco mundial para a sua propaganda durante os Jogos Olímpicos”, disse o chefe de gabinete de Mike Pence, Nick Ayres, citado pelo Washington Post. “Mas tal como dissemos desde o primeiro dia sobre esta viagem: a administração vai colocar-se no caminho do desejo de Kim [Jong-un] de lavar o seu regime assassino com uma fotografia bonita nos Jogos Olímpicos”.

“O vice-presidente estava pronto para aceitar esta oportunidade de salientar a necessidade de a Coreia do Norte abandonar os programas nucleares de mísseis balísticos ilegais”, escreveu a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, no Twitter. Acrescentou que a possibilidade do encontro surgiu “numa breve reunião com os líderes da delegação norte-coreana”, mas que os altos-funcionários norte-coreanos decidiram “não avançar com a reunião” em cima da hora. “Lamentamos que não tenham aproveitado a oportunidade. Não vamos pedir desculpa pelos valores americanos, por chamar a atenção para os abusos dos direitos humanos, ou por estarmos a chorar a morte injusta de um jovem norte-americano”, acrescentou Nauert.

Mike Pence e Nick Ayres, chefe de gabinete do vice-presidente, iam encontrar-se com a irmã do Presidente norte-coreano, Kim Yo Jong, e com o chefe de Estado, Kim Yong Nam, na tarde do dia 10 de Fevereiro, na Casa Azul, a residência oficial do Presidente sul-coreano.

Antes de chegar a Pyeonchang, cidade que acolhe estes Jogos Olímpicos de Inverno, Pence disse aos jornalistas que não pediu “nenhuma reunião com a Coreia do Norte”, cita a AP. “Mas se tiver algum contacto com eles – em qualquer contexto – no decurso dos próximos dois dias, a mensagem vai ser a mesma que a de hoje: a Coreia do Norte precisa de abandonar definitivamente as suas ambições nucleares e balísticas”, rematou.

Mike Pence participou na cerimómia de abertura dos Jogos sentado na fila à frente daquela em que estava a irmã de Kim. Nunca a olhou de frente nem se cruzou com ela — esteve apenas breves instantes no início do jantar de dignitários na sexta-feira em Pyeongchang, saindo antes de a enviada de Kim Jong-un chegar. 

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul têm aproveitado os Jogos Olímpicos de Inverno para ensaiar uma reaproximação. A irmã de Kim Jong-un, Kim Yo Jong, propôs uma cimeira ao Presidente da Coreia do Sul em Pyongyang, “o mais depressa possível”. “Vamos criar as condições para que isso aconteça”, foi a resposta do Presidente Moon, de acordo com o seu porta-voz. Se acontecer, será a primeira tentativa de aproximação em mais de uma década. A notícia pode não ter caído bem a Washington, que via em Seul um aliado na resposta à Coreia do Norte e ao seu programa de mísseis e nuclear.

Desde que assumiu a presidência, Trump não tem cedido nas sanções económicas à Coreia do Norte, e retribui as ameaças de acção militar na mesma moeda. Em paralelo, as trocas de insultos entre os dois chefes de Estado têm sido constantes.