Novo recorde do turismo já tem um valor: 15.153 milhões de euros

Crescimento dos serviços ligados às viagens e turismo foi responsável por quase um terço da subida das exportações totais

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Subida de 19,5% verificada nas receitas turísticas em 2017 é a maior desde 1998 Diogo Baptista

A chegada de turistas estrangeiros a Portugal no ano passado representou um ganho de 15.153 milhões de euros para as contas do país.

De acordo com o Banco de Portugal, que mostrou esta quarta-feira as contas que já incluem os dados de Dezembro, esse valor representa uma subida de 19,5% face a 2016, o que corresponde a mais 2472 milhões de euros.

Segundo uma nota da secretaria de Estado do Turismo, esta subida de 19,5% é a maior desde 1998 (o ano da Expo em Lisboa).

No total, as exportações de bens e serviços chegaram aos 85.349 milhões de euros, mais 11,2%. Em valor, o crescimento foi de 8602 milhões de euros, dos quais o turismo foi responsável por quase um terço (29%).

A informação do Banco de Portugal dá nota de que o excedente das viagens e turismo (depois de incorporar nas contas as importações) aumentou 2030 milhões, levando este valor para o patamar dos 10.861 milhões de euros.

Mesmo assim, as importações também subiram (com destaque para os bens, em parte ligado a necessidades de investimento), não tendo o impulso do turismo e dos serviços capacidade para evitar uma diminuição do excedente da balança de bens e serviços.

Este excedente situou-se nos 3511milhões de euros, menos 305 milhões do que em 2016. “O aumento do excedente da balança de serviços, em 2158 milhões de euros, foi insuficiente para compensar o incremento do défice da balança de bens de 2463 milhões”, diz o Banco de Portugal.  

No comunicado que enviou às redacções, a secretaria de Estado do Turismo diz ser “cada vez mais evidente que o turismo está a alargar ao longo de todo o ano e não apenas concentrado na chamada época alta”. Segundo o Governo, “67% das novas dormidas registadas em 2017 face a 2016 foram registadas nos meses de época baixa”, levando a uma diminuição do índice de sazonalidade que está agora nos 36,5%.

De acordo com os dados do INE sobre as dormidas na hotelaria, divulgados na semana passada, os mercados externos tiveram um peso de 72,4% no total, chegando aos 41,6 milhões de dormidas (mais 8,6%).

Mercados europeus como o Reino Unido continuam no topo (apesar de algum impacto negativo provocado pelas perturbações da Ryanair e pelo fim da companhia aérea Monarch), tal como o alemão, o espanhol e o francês, tendo os maiores crescimentos vindo do Brasil, Estados Unidos, Polónia e China.