Governador do Banco Central da Letónia detido por corrupção

Advogados de Ilmars Rimsevics, que faz parte do conselho de governadores do BCE, dizem que detenção foi ilegal. Tesouro dos EUA acusa um dos principais bancos do país de lavagem de dinheiro.

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Ilmars Rimsevics é governador do Banco Central da Letónia desde 2001 Ints Kalnins/REUTERS
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Jekabs Straume, responsável da agência anti-corrupção da Letónia Ints Kalnins/REUTERS

O governador do Banco Central da Letónia, Ilmars Rimsevics, é suspeito de ter solicitado um suborno e, por isso, foi detido no sábado por ordem da agência nacional anti-corrupção. Nsta segunda-feira foi libertado depois de pagar fiança.

O Governo letão está reunido de emergência, para decidir se forçará a demissão de Rimsevics.

Rimsevics, que é governador do Banco Central letão desde 2001, e está também representado conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), terá pedido um suborno de cem mil euros, revelou esta segunda-feira o chefe do Gabinete de Prevenção e Combate à Corrupção, Jekabs Straume, numa conferência de imprensa.

Apesar de ainda não ter sido formalmente acusado, o lugar de Rimsevics parece estar a prazo. Durante o fim-de-semana, o primeiro-ministro Maris Kucinskis sugeriu que a demissão seria a melhor solução , tal como o Presidente, Raimonds Vejonis.

A ministra das Finanças, Dana Reizniece-Ozola, apontou-lhe o mesmo caminho: "Dado que o governador do Banco Central é um símbolo do país, Rimsevics devia demitir-se", afirmou.

O advogado de Rimsevics diz que o seu cliente foi detido de forma "ilegal". O governador foi detido no sábado, depois de a polícia ter feito buscas na sua residência e no seu escritório. Pode ficar detido durante 48 horas - o prazo legal termina esta segunda-feira. 

A Letónia adoptou o euro em 2014 e, a partir daí, o governador do Banco Central letão passou a ter assento no conselho do BCE, composto pelos 19 governadores dos bancos centrais da eurozona. 

A detenção do governador do Banco Central acontece num momento sensível na banca letã. O terceiro banco mais importante do país, o ABLV, foi acusado na semana passada pelo Departamento do Tesouro dos EUA de lavagem de dinheiro, num momento em que o ABLV precisa de um resgate. 

O Governo norte-americano acusa o banco letão de viabilizar negócios entre os seus clientes e instituições norte-coreanas, alvo de sanções financeiras por parte das Nações Unidas. "O ABLV institucionalizou a lavagem de dinheiro como um pilar das suas práticas bancárias", concluiu a Financial Crimes Enforcement Network, que integra o Tesouro norte-americano.

Desde a acusação, a liquidez do ABLV caiu substancialmente, obrigando a uma suspensão temporária de todos os pagamentos por ordem do Banco Central Europeu. Mesmo com o governador detido, o Banco Central da Letónia decidiu conceder um financiamento de 97.5 milhões de euros ao ABLV, diz a Reuters, embora não tenham sido avançados pormenores sobre o acordo.

O Governo reuniu de urgência esta segunda-feira de manhã, mas as autoridades locais garantem que a detenção do governador do Banco Central não está relacionada com o caso do ABLV.