Deputado faz greve de fome para que escola tenha cantina

Paulo Estêvão, do PPM Açores, apela a que se construa uma cozinha e um refeitório na escola do Corvo.

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nelson garrido

O deputado do Partido Popular Monárquico (PPM) Açores, Paulo Estêvão, começou nesta segunda-feira uma greve de fome nas instalações do Parlamento açoriano na Horta, ilha do Faial, como protesto contra a falta de refeições escolares para a comunidade estudantil da Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, a única da ilha do Corvo. 

Em comunicado, o deputado afirma que aquela escola é “a única em todo o país” que não assegura os almoços aos alunos.  “Tem de se mudar e melhorar o sistema de forma global. Mas antes disso é necessário acabar com todo o tipo de discriminação, quer seja social, étnica ou meramente relacionada com a localização geográfica de uma determinada comunidade escolar. Os alunos do Corvo estão a ser discriminados unicamente por viverem e estudarem numa ilha distante e pouco povoada”, sustenta o deputado. Que questiona ainda o Governo Regional sobre a razão pela qual não constrói uma cozinha e um refeitório na escola do Corvo, admitindo ser sua “obrigação legal”.

O deputado admite manter esta acção de protesto "enquanto tiver condições físicas para a prosseguir". Esta não é a primeira vez que Paulo Estêvão faz greve de fome. Em 2009, esteve 61 horas sem comer para exigir a instalação de uma delegação do parlamento açoriano na ilha do Corvo, a única do arquipélago que não dispunha desse serviço.

No Orçamento Regional para 2018, diz o deputado, o executivo regional passou a contemplar o pagamento de “compensações às famílias dos alunos do Corvo, “calculadas numa base diária e indexadas ao subsídio de refeição”. Só que a questão mantém-se: os alunos continuam sem acesso aos almoços. 

“Estou absolutamente convencido de que a atitude do Governo Regional tem como base, única e exclusivamente, o preconceito e a ideia de discriminar abertamente uma população com menor visibilidade e poder de reivindicação devido à distância a que se encontra dos centros de decisão e à sua diminuta população”, admite Paulo Estêvão, lembrando que o secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, já havia afirmado não existir qualquer perspectiva de fornecimento de refeições escolares aos alunos daquela escola.