Sporting diz que não está em blackout

Pelo menos no que ao futebol diz respeito, elementos do clube irão continuar a comparecer nas conferências de imprensa.

Bruno de Carvalho
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Bruno de Carvalho LUSA/NUNO FOX

Apesar do apelo ao boicote a vários órgãos de comunicação social feito pelo presidente aos sócios, fonte oficial do clube “leonino” negou nesta segunda-feira a existência de qualquer blackout por parte do Sporting. Ao PÚBLICO este responsável disse que os “leões” irão cumprir todos os compromissos que existem nos regulamentos da I Liga e da Taça de Portugal, bem como os acordos comerciais que o clube assinou.

Na prática, e no que ao futebol diz respeito, isto significa que elementos do Sporting irão continuar a marcar presença nas entrevistas rápidas logo após os jogos e nas conferências de imprensa que se seguem às partidas do campeonato. O mesmo sucederá na conferência de imprensa de antecipação das meias-finais e final (caso o Sporting se apure) da Taça de Portugal, já que isso é regulamentarmente exigido. E, numa tentativa de demonstrar que está tudo normal no que toca aos contactos com a comunicação social, também as conferências de imprensa de antevisão aos jogos da I Liga - não obrigatórias pelos regulamentos - irão continuar a contar com a presença do treinador Jorge Jesus. Já o contacto entre jornalistas e os jogadores nas “zonas mistas” após as partidas não é garantido.

Blackout, uma estratégia antiquada

O Sporting evita, desta forma, qualquer punição no que diz respeito ao incumprimento de obrigações regulamentares, bem como ver os seus patrocinadores queixarem-se de uma menor exposição mediática.

Aliás, o recurso ao blackout é uma estratégia cada vez mais antiquada e desadequada. Isto porque, não comparecer aos contactos definidos nos regulamentos com os media na maior parte das competições profissionais de futebol comporta o pagamento de multas.

Assim, os clubes têm vindo a adoptar outras estratégias, como sejam a de privilegiarem os seus próprios meios de comunicação, contando também com a passividade da generalidade dos restantes órgãos de comunicação social, que não se importam de utilizar esses conteúdos, apesar de não terem qualquer controlo editorial sobre os mesmos. Exemplo paradigmático é o de entrevistas dadas aos canais de comunicação do clube e que depois, em muitos casos, acabam por ter eco nos outros órgãos.

Outra forma de reduzir o contacto com a comunicação social sem assumir a existência de um blackout é a indicação dada internamente a atletas para, por exemplo, não falarem à comunicação social nas chamadas "zonas mistas" ou então deixar de realizar conferências de imprensa em eventos promocionais.

Bruno de Carvalho vai para o terceiro embate com os media

O actual presidente do Sporting tem sido instigador de vários confrontos com a comunicação social, tenham eles a forma de blackout formal ou não. O primeiro aconteceu em Dezembro de 2014. Na altura, os "leões" emitiram um comunicado que foi publicado no site oficial do clube e no qual revelavam que iniciavam um período de silêncio sem fim anunciado "em virtude dos injustificados e repetidos ataques por parte de diversos órgãos de comunicação social". Na altura, em causa estavam notícias vindas a público que davam conta que Bruno de Carvalho e Marco Silva, treinador sportinguista, estavam de costas voltadas - o técnico deixaria o clube pouco tempo depois.

Mais recentemente, em Janeiro do ano passado, o Sporting voltou a impor a "lei da rolha", embora, dessa vez, não assumindo a existência de qualquer blackout. Em comunicado, os "leões" informavam que não realizariam "qualquer tipo de actividade media da sua equipa principal de futebol profissional, para além do que está regulamentarmente estipulado". Uma decisão tomada por causa do "desrespeito pela instituição e pelos seus sócios e adeptos, por parte de algumas instâncias que regulam o futebol português”.

Agora, o Sporting volta a chocar de frente com alguns órgãos de comunicação social. Nega a existência de qualquer blackout mas reconhece que, no que toca a contactos com a comunicação social, apenas vai cumprir aquilo a que regularmentarmente está obrigado.